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Geopolítica

Brasil pode virar nova “Venezuela” ou “México” após EUA classificar PCC e CV como grupos terroristas?

A decisão foi formalizada nesta quinta-feira (28) por meio de uma nota da Casa Branca

Brasil pode virar nova “Venezuela” ou “México” após EUA classificar PCC e CV como grupos terroristas?

O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) entraram oficialmente na lista de “Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs)” dos EUA na noite da última quinta-feira (28).

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Marco Rubio, Secretário de Estado dos Estados Unidos, assinou a nota e justificou a decisão por “o CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntas, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e por todo o país”.

Ele ainda afirmou que o governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis a fim de “proteger a nação”. Diante das últimas intervenções do líder norte-americano nos vizinhos Brasileiros e outros países do continente, fica a dúvida: qual o limite do poder do presidente no nosso país após a decisão?

Há risco em repetir o que aconteceu na Venezuela?

Em 3 de janeiro deste ano, os EUA capturaram o então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas, capital do país. A justificativa usada pelo Departamento de Justiça dos EUA foi que o líder estaria envolvido em conspiração para o narcoterrorismo e para o tráfico de cocaína, bem como possuía metralhadoras e dispositivos explosivos.

Em entrevista a O Brasilianista, Raquel Gallinati, diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (ADEPOL), usa justamente isso para explicar o porquê não faz sentido associar o que aconteceu na Venezuela com o que acontece no Brasil.

“No caso venezuelano, houve vínculo direto entre o alto escalão do Estado e estruturas do narcotráfico. Aqui, o debate é sobre a classificação jurídica de facções criminosas, não sobre envolvimento institucional do governo com essas organizações”, pontuou.

A especialista defende que agências como o FBI possivelmente podem se envolver com troca de inteligência e apoio técnico, mas não existe hoje um risco de ação militar direta.

Rodrigo Amaral, professor de Relações Internacionais da PUC-SP, ainda acrescenta que diferentemente do nosso vizinho, o Brasil é visto internacionalmente como um país estável, o que inibe uma retaliação mais dura.

Há risco em repetir o que aconteceu no México?

Desde 2006, o México adota uma estratégia de enfrentamento direto aos cartéis. O objetivo é prender e “eliminar” lideranças associadas ao movimento, algo parecido com o que também vem sendo feito da Nicarágua. Os EUA, com esse argumento, realizou diversas operações especiais para capturar esses traficantes.

Contudo, vale destacar que os norte-americanos não classificaram oficialmente os cartéis mexicanos como organizações terroristas. Apesar disso, a situação que ocorre por lá tem mais semelhanças com o que acontece no Brasil, em comparação com a Venezuela, segundo Gallinati, uma vez que Brasil e México tem como desafio o enfrentamento de organizações criminosas complexas, resilientes e economicamente poderosas.

“O que levou o México a um cenário mais crítico não foi apenas a força dos cartéis, mas a combinação de fatores como fragmentação institucional, respostas descoordenadas e ausência de sufocamento financeiro efetivo”, complementa. Por isso, ela acredita que o risco de se repetir o que houve no México no Brasil existe apenas esse modelo for reproduzido.

A diretora também faz questão de enfatizar que há divergências importantes entre o PCC e CV e os cartéis mexicanos: atuação transnacional no tráfico de drogas, a estrutura organizada com divisão de funções e a capacidade de corrupção e infiltração institucional.

Enquanto as organizações brasileiras têm uma estrutura mais horizontalizada e disciplina, as mexicanas têm uma estrutura paramilitarizada e, por vezes, altamente hierarquizada.

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