A decisão do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) de desistir da disputa pelo governo de Minas Gerais provocou mudanças no cenário eleitoral do estado e abriu uma nova fase de articulações entre partidos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Considerado o principal nome do campo governista para 2026, o ex-presidente do Senado era visto como peça importante para fortalecer a presença do Palácio do Planalto em um dos maiores colégios eleitorais do país.
Pacheco afirmou, nesta sexta-feira (29), durante evento do Lide em São Paulo, que decidiu encerrar sua trajetória política após deixar a presidência do Senado.
“Eu vou fechar o ciclo da política, é algo que eu já havia programado há bastante tempo. Quando entrei na política eu dizia sempre que a gente tem uma data de entrada e uma data de saída, que não me eternizaria na política. Tenho muito desapego ao poder e felizmente não preciso da política para sobreviver. Eu tinha decidido que ia sair desse ciclo, ao sair da presidência do Senado essa decisão estava muito bem refletida e estou mantendo essa decisão”, declarou.
A saída do senador altera diretamente os planos do grupo ligado ao governo federal em Minas. Pacheco havia trocado o PSD pelo PSB em meio às negociações para a formação de uma candidatura alinhada a Lula no estado. O movimento foi interpretado nos bastidores como uma tentativa de consolidar uma frente capaz de enfrentar nomes ligados à direita mineira na próxima eleição estadual.
Sem o senador na disputa, partidos aliados passaram a discutir alternativas para ocupar o espaço deixado por ele. O próprio Pacheco citou durante o evento nomes que podem ganhar força nos próximos meses, como o empresário Josué Gomes da Silva, ex-presidente da Fiesp e filho do ex-vice-presidente José Alencar, além do ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares. Ambos são filiados ao PSB.
O senador afirmou que Minas precisa de um nome ligado ao “campo democrático, progressista”, mas ressaltou que não pretende participar diretamente da escolha do candidato para 2026.
Disputa em Minas ganha novo cenário após decisão
Reportagem do O Globo mostrou que a desistência de Pacheco também aumenta a pressão sobre os partidos aliados de Lula para encontrar um nome competitivo em Minas Gerais. O estado é considerado estratégico em eleições presidenciais e costuma ter peso decisivo nas disputas nacionais. Nos bastidores de Brasília, integrantes do governo avaliavam que o senador poderia funcionar como ponte entre setores do centro político e a base petista mineira. A proximidade construída nos últimos anos entre Lula e Pacheco ajudava nessa estratégia.
Mesmo deixando a disputa, o parlamentar fez questão de destacar a relação com o presidente da República: “Minha relação com o presidente Lula é muito boa, sempre foi muito boa. Nós nos gostamos, temos apreço um pelo outro e tivemos uma convivência muito sadia mesmo antes de ele assumir a Presidência da República.”
O cenário político mineiro ainda deve ser impactado por disputas internas entre partidos de centro, esquerda e direita. Sem uma definição consolidada no grupo governista, a tendência é de crescimento das negociações nos próximos meses em busca de alianças regionais e nomes capazes de ampliar apoios fora da capital mineira.
Além das discussões eleitorais, a decisão de Pacheco ocorre em meio a desgastes recentes envolvendo sua relação com setores do PT. Parte de integrantes do governo passou a demonstrar desconforto após articulações relacionadas à sucessão no Supremo Tribunal Federal envolvendo o nome de Jorge Messias.
O senador voltou a negar qualquer atuação contra o atual advogado-geral da União e evitou aprofundar o tema durante o evento empresarial em São Paulo.
Pacheco comenta outros temas nacionais durante evento
Durante a participação no encontro promovido pelo Lide, Rodrigo Pacheco também falou sobre o caso envolvendo o Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O mineiro afirmou que o parlamentar da oposição deve ter garantido o direito à ampla defesa.
“É preciso garantir a todas as pessoas, inclusive ao senador Flávio Bolsonaro, o direito de defesa, contraditório, o devido processo legal, a presunção de não culpabilidade. Isso se aplica a ele e a qualquer cidadão. Não vou me permitir fazer qualquer tipo de exploração midiática ou política de algo que precisa ser suficientemente explicado”, disse.
O senador ainda criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Para ele, a medida não ajuda no combate às facções criminosas e pode provocar distorções sobre o conceito de terrorismo: “Eu não considero que seja uma decisão acertada, ao contrário, considero equivocada”.
Na avaliação de Pacheco, a classificação acaba ampliando o debate político sobre segurança pública sem apresentar soluções práticas para o enfrentamento das organizações criminosas.

