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Geopolítica

Disputa por influência entre a China e os EUA; o que cada um deles quer do Brasil?

Especialista explica que, no exterior, o país se posiciona como uma nação de grande importância social e política

Disputa por influência entre a China e os EUA; o que cada um deles quer do Brasil?

Dados divulgados recentemente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que, no ano passado, o Brasil foi o terceiro principal destino dos investimentos estrangeiros diretos no mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Situado como o maior país da América Latina e, consequentemente, um dos mais importantes economicamente para a região, a nação aparece no centro da disputa por influência política entre os EUA e a China.

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De acordo com o coordenador de comércio e política internacional da BMJ Consultoria, Vitor Vilar, a intensificação do embate está diretamente ligada aos resultados obtidos pela China após a adoção de uma estratégia mais agressiva de investimentos na região, especialmente a partir das exportações. Como resposta, os Estados Unidos passaram a tentar reduzir essa capacidade de influência também abrindo espaço para o mercado do Brasil.

“Uma vez que a China moldou seu plano de crescimento econômico a partir das exportações, se você reduz os compradores, há, obviamente, um impacto na economia chinesa”, disse. “Já a estratégia dos Estados Unidos é, de fato, ampliar novamente suas próprias exportações para a região, que diminuíram bastante ao longo dos últimos anos. Então, há esses dois ângulos bastante importantes”, explica Vilar.

Tensões comerciais colocam o Brasil como principal opção

Em busca de aumentar a sua presença no Brasil, a China vem intensificando seus investimentos no país, sobretudo no setor de veículos elétricos, a exemplo do anúncio em 2025, de investimento de R$ 6 bilhões pela GWM, uma das maiores montadoras chinesas. Atualmente, o país é o maior parceiro comercial, sendo responsável por US$ 100 bilhões das exportações brasileiras no último ano. O economista cita que essa movimentação também é influenciada pelo fechamento do mercado norte-americano e europeu para o país asiático.

“Politicamente, as potências obviamente entendem o país como muito relevante e, por isso, despejam dinheiro aqui em projetos de infraestrutura por entender o Brasil como um mercado muito relevante. Então, essa entrada de veículos chineses é muito importante para a China, uma vez que tanto o mercado dos Estados Unidos está cada vez mais fechado, quanto o mercado europeu, com diversas medidas antidumping contra esses carros. Assim, o Brasil é um mercado muito importante para a China nesse segmento”, explica Vitor Vilar.

Política de influência

A preocupação dos EUA de manter os olhos sob o Brasil também surge motivada pela implementação de uma política de zonas de influência, posicionamento chamado de Doutrina Monroe, que impõe uma política externa baseada no imperialismo. A estratégia utiliza como base maior controle do país americano em recursos considerados estratégicos no mundo.

“O governo Trump tenta iniciar uma nova política de zonas de influência, especialmente na América Latina. Reeditando o que alguns especialistas têm chamado de doutrina Donro, que é uma mistura de Donald Trump com com a doutrina Moro, ex-presidente dos Estados Unidos que criou, de fato, essa política histórica da América para os americanos”, explica o especialista em comércio internacional.

Relevância do Brasil na América Latina

Mas, além de seu protagonismo regional, o Brasil concentra ativos estratégicos que despertam o interesse de grandes potências, além de ter relevância no comércio global. O país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo e também se mostra aberto a receber investimentos voltados à exploração de minerais críticos.

Na avaliação de Vilar, no exterior o Brasil se posiciona como uma nação de grande importância social e política, sendo visto como um país respeitado em discussões internacionais. No entanto, historicamente para os Estados Unidos, a América Latina como um todo é considerada sua região de influência, cenário que passou por mudanças após o crescimento de poder da China.

“Essa região que teve um aumento da presença chinesa paulatinamente, especialmente no século XXI. Começando, se não me engano, em 2008, quando a China se torna o maior parceiro comercial do Brasil e se mantém dessa forma, crescendo muito na América Latina como um todo”, afirma Vitor Vilar.

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