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Justiça

O que sabemos do Caso Deolane Bezerra?

A PF investiga a advogada e influenciadora por lavagem de dinheiro

O que sabemos do Caso Deolane Bezerra?

A advogada e influenciadora digital, Deolane Bezerra, foi presa preventivamente nas últimas semanas em meio a investigações de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Na deflagração da Operação Vérnix, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões no nome da influenciadora. Os investigadores afirmam que o valor possui indícios de lavagem de dinheiro e uma origem não comprovada.

O Estadão mostrou que os agentes encontraram ainda um documento chamado “Cronograma Estratégico e Estruturação Corporativa”, que reúne um passo a passo de como o grupo investigado — que estaria diretamente associado ao líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola ‘Narigudo’ — atuaria para ocultar e dissimular parte do fluxo de caixa do crime organizado.

A suspeita é de que Deolane teria recebido valores originários da facção criminosa através de uma empresa de transportes apontada como braço financeiro da diretoria da facção. Seu nome estava na lista de Difusão Vermelha da Interpol, visto que a influenciadora estava em Roma, na Itália, nas últimas semanas e chegou ao Brasil no último dia 20 de maio.

Cronograma de estruturação

O documento de 12 páginas apreendido na operação de busca e apreensão indicam o uso de empresas de diferentes áreas, como holdings patrimoniais, publicidade, cosméticos e apoio administrativo financeiro para a lavagem de dinheiro do esquema. Essa estratégia ajudaria a ocultar a origem do dinheiro.

Esse cronograma reitera a hipótese dos investigadores de que o grupo investigado buscava aperfeiçoar mecanismos de lavagem de dinheiro mediante reorganização societária, pulverização empresarial, expansão de atividades comerciais e utilização de pessoas jurídicas formalmente diferentes.

O que mais foi apreendido?

A PF também recolheu veículos de luxo, joias, relógios, dinheiro em espécie, moeda estrangeira, aparelhos eletrônicos e documentos considerados relevantes para a investigação durante a busca e apreenção.

De acordo com os investigadores, a apreensão desse conjunto de bens revela a existência de acervo patrimonial de alto padrão, composto por ativos móveis de elevado valor, fácil transporte e potencial liquidez, “compatíveis com estratégias de preservação ou conversão patrimonial em contextos de lavagem de capitais”.

Entre os bens recolhidos estão uma Mercedes-Benz AMG G63, um Jeep Commander Limited, uma Cadillac Escalade e uma Land Rover Range Rover P530. Segundo os investigadores, os veículos estavam registrados em nome de diferentes empresas, o que levantou suspeitas sobre o possível uso de pessoas jurídicas para ocultar patrimônio.

Na casa de Bezerra, foram apreendidos 19 relógios de alto luxo, bem como 40 joias e dinheiro vivo – R$ 51,4 mil e 1.550 euros. Celulares, notebooks, MacBooks, iPads, CPUs e computadores iMac, também foram resgatados para passarem por perícia.

A defesa da advogada e influenciadora alega que Bezerra não cometeu crime algum.

Os investigados da Operação Vérnix

Além de Deolane, também foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão. Estão entre os alvos da operação:

  • Deolane Bezerra, advogada e influenciadora (mandado de prisão cumprido em Barueri);
  • Everton de Souza, “Player”, o suposto operador financeiro do esquema (mandado de prisão cumprido);
  • Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola (mandado de prisão cumprido em penitenciária federal);
  • Alejandro Camacho, irmão de Marcola (mandado de prisão cumprido em penitenciária federal);
  • Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola (foragida, estaria na Bolívia, mandado de prisão incluído na Difusão Vermelha);
  • Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola (foragido, estaria em Madri, mandado de prisão incluído na Difusão Vermelha).

PCC não é somente violência

Welington Dutra, advogado e Mestre em Direito, afirmou para esta matéria do O Brasilianista, que o PCC, ao longo dos últimos anos, se tornou muito maior do que o tráfico de drogas e violência, se expandindo financeiramente.

Ele alertou que, até o momento, o caso de Deolane é uma investigação que tenta apurar as relações empresariais que eventualmente estejam relacionadas com as movimentações financeiras que poderiam, em tese, ter ligações com lavagem de dinheiro associada efetivamente ao crime organizado. No entanto, é uma afirmação bem diferente de dizer que ela integra o PCC.

“O foco, me parece, da investigação, me parece realmente ser outro. A ideia, pelo que eu tenho acompanhado até agora, é rastrear dinheiro, identificar a origem dos valores, verificar as estruturas empresariais que podem de alguma maneira ter sido utilizadas para ocultar ou movimentar recursos ilícitos. E aí sim, é que entra ao ponto importante. A gente tem que lembrar sempre uma coisa que é fundamental: nas investigações que envolvem lavagem de dinheiro, nem sempre a discussão é sobre quem participou ou quem praticou o crime principal. Muitas vezes, o que se investiga é quem teria ajudado”, disse.

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