O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, defendeu nesta segunda-feira (01) um “Plano Real” para a segurança pública do Brasil, ao se lembrar do seu trabalho ao lado do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, responsável pela sua indicação à Corte em 2002.
O BNews mostrou que durante um painel do evento Fórum de Lisboa, o magistrado falou do desenvolvimento do Plano Real, que foi lançado em 1994, durante o governo do presidente Itamar Franco, que tinha FHC como ministro da Fazenda na época. O projeto tinha o objetivo de conter a hiperinflação e estabilizar o poder de compra da população.
“Eu tive a honra de trabalhar com Fernando Henrique e o Real. Todo mundo sabe que aquela transformação que se deu foi um resgate social enorme. A gente, que vinha de uma cultura inflacionária, parecia que estávamos condenados a fazer uma cultura de desenvolvimento de inflação. Nós vencemos isso e muitos outros desafios no que diz respeito à desigualdade social. Os índices são preocupantes, mas se nós olharmos dados por dados, conseguimos cumprir uma série de metas na área de educação e saúde”, disse Mendes.
O ministro também afirmou que o mundo vive “desafios” para atingir a paz por uma “série de desarrumações”, indicando que o enfrentamento de um dos maiores problemas da sociedade, a segurança, poderia ser resolvido em linha com a ideia do projeto do Plano Real, de retomar a confiança dos brasileiros.
IA ajuda o trabalho dos advogados
O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti, alegou durante o mesmo evento que o uso da inteligência artificial (IA) como ferramenta auxilia o trabalho dos advogados.
“A inteligência artificial já organiza e interpreta informações, analisa jurisprudência. Executa, em segundos, tarefas que antes consumiam horas ou dias de trabalho de grandes equipes. Esse avanço é positivo e irreversível”, afirmou Simonetti, segundo o BNews.
“A inteligência artificial é mais um passo dessa caminhada, mas esse é um caminho com obstáculos que precisam ser retirados desde já. A tecnologia pode ser uma aliada no esforço de promover a inclusão, no mercado de trabalho, dos jovens advogados e dos colegas que atuam nas localidades afastadas dos grandes centros. Jamais, no entanto, pode a tecnologia servir para excluir ou anular os profissionais e a visão humana da justiça”, complementou.
Para ele, a defesa de direitos exige independência técnica, exige responsabilidade, compromisso ético e discernimento humano diante de um conflito concreto, o que não caberia em um algoritmo. Porém, ele reitera que não é necessário recusar a tecnologia, visto que a IA pode democratizar o acesso à informação jurídica.
Proteção de dados
No último domingo (31), Gilmar Mendes também comentou sobre a tecnologia, mas no âmbito do fortalecimento da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) como próximo passo para consolidar os avanços da legislação brasileira sobre privacidade e proteção de dados.
Mendes destacou que a proteção de dados se tornou uma das áreas em que o Supremo mais avançou nas últimas décadas. O ministro lembrou que a Constituição já previa instrumentos relacionados à proteção de informações pessoais, mas afirmou que o STF ampliou a interpretação desses mecanismos ao longo dos anos.

