Uma pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira (1º) mostra que os pré-candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) superam as intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um possível segundo turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No entanto, em primeiro turno, os dois não possuem pretensão de votos suficiente caso o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro siga na corrida presidencial. De toda forma, Lula segue na liderança das intensões para o primeiro e segundo turno em todos os cenários analisados.
O senador Flávio viu sua campanha ser abalada após as revelações do caso “Dark Horse”, filme biográfico sobre seu pai, que contou com o investimento de R$ 134 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado pela fraude bilionária do Banco Master.
Em um possível segundo turno, o atual presidente possui sete pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro. Já uma disputa entre Lula e Caiado renderia 43% dos votos para cada, enquanto Romeu Zema teria 40% dos votos contra 43% do petista.
O levantamento realizou 2.000 entrevistas entre a última sexta-feira (29) e o sábado (30). A margem de erro é de dois pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-05864/2026.
Cenários de 1º turno
Cenário 1
- Lula (PT): 38%
- Flávio Bolsonaro (PL): 31%
- Renan Santos (Missão): 6%
- Ronaldo Caiado (PSD): 6%
- Romeu Zema (Novo): 4%
- Aécio Neves (PSDB): 3%
- Joaquim Barbosa (DC): 3%
- Augusto Cury (Avante): 1%
- Outros: 1%
- Nulo/branco: 3%
Não sabem/não responderam: 4%
Cenário 2
- Lula (PT): 38%
- Flávio Bolsonaro (PL): 31%
- Renan Santos (Missão): 6%
- Ronaldo Caiado (PSD): 6%
- Romeu Zema (Novo): 5%
- Aécio Neves (PSDB): 3%
- Aldo Rebelo (DC): 1%
- Augusto Cury (Avante): 1%
- Outros: 1%
- Nulo/branco: 3%
- Não sabem/não responderam: 5%
Cenários de 2º turno
Cenário 1
- Lula (PT): 45%
- Flávio Bolsonaro (PL): 40%
- Nulo/branco: 8%Não sabem/não responderam: 7%
Cenário 2
- Lula (PT): 43%
- Ronaldo Caiado (PSD): 43%
- Nulo/branco: 8%
- Não sabem/não responderam: 6%
Cenário 3
- Lula (PT): 43%
- Romeu Zema (Novo): 40%
- Nulo/branco: 11%
- Não sabem/não responderam: 6%
Cenário 4
- Lula (PT): 46%
- Renan Santos (Missão): 30%
- Nulo/branco: 12%
- Não sabem/não responderam: 12%
Cenário 5
- Lula (PT): 47%
- Aécio Neves (PSDB): 23%
- Nulo/branco: 16%
- Não sabem/não responderam: 14%
A probabilidade de uma 3ª via
As eleições de 2026 continuam se mostrando como altamente polarizadas. Apesar dos eventos recentes que impactaram a campanha de Bolsonaro, sua possível candidatura ainda mantém a fragmentação do centro político e impede novos nomes de surgirem como opções viáveis ao eleitorado.
Entretanto, o coordenador de Análise Política da BMJ Consultores revelou para esta matéria de O Brasilianista que a viabilidade de um terceiro nome ganhar força em 2026 frente a Lula e a Flávio Bolsonaro não deve ser totalmente descartada. Isso porque há um eleitorado que aparenta estar cansado da polarização e que pode aderir a uma alternativa. No entanto, esse movimento dependeria de condições específicas que, até o momento, não se materializaram.
“Para que uma candidatura de terceira via ganhe tração, a unificação precoce do campo de centro em torno de um único nome, a construção de uma narrativa própria que vá além da rejeição aos polos, e a formação de uma estrutura nacional robusta, com alianças e capilaridade regional, são fatores decisivos. Além disso, crises políticas ou econômicas podem reconfigurar o cenário e abrir espaço para alternativas. Sem esses elementos, a tendência é de manutenção da polarização”, afirmou.
O caso Dark Horse
O filme “Dark Horse” narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro em sua campanha eleitoral de 2018, tratada como uma jornada heroica. A trama deve mencioná-lo como combatente do tráfico de drogas. Entre os roteiristas está o ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, Mário Frias.
O dono do Banco Master e principal financiador do filme, Daniel Vorcaro, responde por uma fraude bancária bilionária, além de ser investigado por atuar como miliciano em organizações criminosas e corrupção. O Brasilianista mostrou como ele também queria controlar a repercussão midiática do longa metragem.
Outras controvérsias envolvendo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e também Mário Frias prejudicaram a situação. Ao afirmar que não tinham valores do Master envolvidos no projeto e, logo em seguida, voltar atrás, a desconfiança começou a aumentar.
A investigação do caso ainda apura o envolvimento de uma ONG que teria recebido valores da Prefeitura de São Paulo para instalar redes de Wi-fi em uma região que nunca foi finalizada. A organização é da mesma dona da produtora do filme de Jair Bolsonaro.

