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Economia

Tela Brasil pode gerar custo alto para o governo federal

O espaço de streaming do audiovisual brasileiro pode gerar gastos altos

Tela Brasil pode gerar custo alto para o governo federal

O governo brasileiro lançou no último sábado (30) o primeiro streaming audiovisual do serviço público, chamado Tela Brasil. É uma plataforma gratuita de streaming do audiovisual brasileiro, com filmes e produções remasterizadas que fazem parte do patrimônio cultural do país.

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O serviço deve reunir obras históricas — inclusive filmes que representaram o Brasil no Oscar —, produções contemporâneas, conteúdos educativos e acervos de instituições federais de cultura.

Porém, a escolha do sistema para entrega dos vídeos na plataforma gera um suposto custo por tamanho de reprodução para o governo. Espectadores levantaram a hipótese de que o Tela Brasil utiliza a CDN da Amazon (Amazon CloudFront) para reproduzir os vídeos, cobrado por tamanho do arquivo.

Uma calculadora mostra que os primeiros 10 TB no mês custam US$0,09/GB pela saída da internet, pós-nível gratuito, o valor aumenta para US$ 0,085 nos próximos 40 TB/mês, depois US$ 0,07 na banda de 50-150 TB e fixa em US$ 0,05 para mais de 150 TB/mês.

Em contrapartida, há CDNs brasileiras, utilizadas por redes de televisão como Globo, SBT, Record e RedeTV, que garantem o mesmo tipo de serviço por valores menores e até mesmo maior distribuição. A plataforma da Amazon garante polos de distribuição em menos regiões do país, o que diminuiria a qualidade do serviço para essas áreas.

Não há qualquer informação de licitação nos canais oficiais do Ministério da Cultura. O Brasilianista tentou contato com a pasta, mas não recebeu retorno. O espaço segue aberto.

Quais conteúdos estão no Tela Brasil?

A plataforma estreia com 555 obras audiovisuais brasileiras, entre curtas, médias e longas-metragens, telefilmes e produções seriadas. O catálogo inicial é composto por 267 curtas-metragens, 139 longas-metragens, 85 médias-metragens ou telefilmes e 64 obras seriadas, reunindo produções realizadas entre 1910 e 2025 e oferecendo ao público um amplo panorama da história, da pluralidade e da riqueza do audiovisual nacional.

Entre os conteúdos disponíveis, estão 19 obras que representaram o Brasil na disputa pelo Oscar, além de produções voltadas à infância e à juventude, musicais, registros históricos e títulos reconhecidos em festivais nacionais e internacionais.

Inicialmente disponível apenas na versão web, a plataforma terá acesso gratuito por meio do site telabrasil.cultura.gov.br, com login realizado via cadastro no Gov.br. As versões para Android e IOS estarão disponíveis em até 30 dias após o lançamento oficial, que ocorreu no último sábado (30).

O catálogo inaugural combina obras financiadas pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) com acervos de instituições do Sistema MinC, como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Cultural Palmares.

Entre os destaques estão clássicos que marcaram a história do cinema brasileiro, como Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe, Barravento e O Pátio, de Glauber Rocha; A Hora da Estrela, de Suzana Amaral; Xica da Silva, de Cacá Diegues; Carandiru, de Hector Babenco; Olga, de Jayme Monjardim; O Quatrilho, de Fábio Barreto; O Que É Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto; e Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes.

A seleção reúne ainda documentários de referência, como Jango e Os Anos JK, de Silvio Tendler; produções de Lúcia Murat, como Quase Dois Irmãos e Doces Poderes; além de títulos reconhecidos internacionalmente, como O Menino e o Mundo, Lixo Extraordinário e Ilha das Flores, eleito pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) o melhor curta-metragem brasileiro da história.

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