O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (02) que o Brasil não é uma nação considerada amigável pelos EUA, se juntando ao grupo da Venezuela, Cuba e Nicarágua.
A declaração acontece logo após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) afirmar que deseja impor tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A fala também decorre da decisão dos EUA de categorizar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
“Ccom exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e do Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em certa medida, também do atual governo da Colômbia —ou pelo menos de seu presidente, que tem sido problemático—, de modo geral trata-se agora de uma região repleta de aliados dos EUA, de líderes amistosos aos EUA e de uma direção favorável aos interesses americanos”, disse Rubio sobre a América Latina.
Nesse contexto, será que o Brasil pode virar uma nova Venezuela ou Cuba, em que os americanos podem ameaçar invadir o território para eliminar as facções criminosas, por exemplo?
Para responder essa pergunta, primeiro é preciso entender o que aconteceu com EUA, Venezuela e Cuba.
Relação entre Venezuela, Cuba e EUA
Conforme noticiado anteriormente pelo O Brasilianista, os Estados Unidos e Cuba estão em um conflito há séculos, desde o fim da Guerra Hispano-Americana, pela qual os americanos derrotaram a Espanha e ocuparam de forma militar todo o território da ilha. Na época, estabeleceram a Emenda Platt à primeira constituição de Cuba, dando o direito dos americanos a intervirem militarmente a qualquer momento na ilha.
Mesmo após revogação dessa emenda, os EUA seguiram controlando indiretamente Cuba, em especial pelo uso da Base Naval da Baía de Guantánamo, onde os americanos possuem até hoje uma prisão de segurança máxima, para deter suspeitos de terrorismo.
Além disso, os EUA aplicam há quase 70 anos um embargo econômico na região, pressionando o país a concordar com as ações americanas. Washington aumentou recentemente a intensidade da pressão econômica e bloqueou o fornecimento de hidrocarbonetos para a ilha.
Em relação à Venezuela, no início deste ano, Washington invadiu o território afirmando que o presidente Nicolás Maduro seria líder das facções criminosas e prendeu o líder. Desde então, os americanos tomaram responsabilidade da produção e venda de petróleo do país, enquanto aguarda para um julgamento de Maduro nos EUA.
O Brasil pode virar a nova Venezuela?
Em entrevista a O Brasilianista, Raquel Gallinati, diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (ADEPOL), afirma que não faz sentido associar o que aconteceu na Venezuela com o que acontece no Brasil, mesmo com a classificação das organizações criminosas como terroristas.
“No caso venezuelano, houve vínculo direto entre o alto escalão do Estado e estruturas do narcotráfico. Aqui, o debate é sobre a classificação jurídica de facções criminosas, não sobre envolvimento institucional do governo com essas organizações”, disse.
Para a especialista, agências como o FBI possivelmente podem se envolver com troca de inteligência e apoio técnico, mas não existe hoje um risco de ação militar direta.
Rodrigo Amaral, professor de Relações Internacionais da PUC-SP, ainda acrescenta que diferentemente do nosso vizinho, o Brasil é visto internacionalmente como um país estável, o que inibe uma retaliação mais dura.

