Publicidade
Geopolítica

Trump ameaça Brasil com taxas de 25% e 12,5%

A nova tarifa pode ser cumulativa aos 25% definidos pelo governo norte-americano no início desta semana

Trump ameaça Brasil com taxas de 25% e 12,5%

O Escritório de Comércio dos EUA (USTR) divulgou, na última terça-feira (02), a imposição de novas tarifas a 60 parceiros comerciais, e o Brasil se encontra na lista. A prática é devida à investigação concluída pelo USTR, na qual os países falharam em proibir e fiscalizar a importação de produtos produzidos por trabalho forçado.

Publicidade

O relatório aponta que o Brasil não possui regime eficaz no controle de importação para mercadorias fabricadas em regime de trabalho forçado, impondo 12,5% de tarifa adicional à todos os produtos brasileiros. Apesar de possuir compromissos contra o trabalho escravo em acordos de livre comércio, o USTR avaliou que as práticas realizadas pela nação são irracionais e prejudiciais ao mercado norte-americano.

A decisão está baseada na seção 301 da Lei do Comércio dos Estados Unidos, de 1974, e a investigação foi iniciada em março deste ano. Além do Brasil, a tarifa adicional foi imposta a outros países, como a China e a Índia. No entanto, o governo norte-americano definiu outro nível de taxação às nações que possuem proibição parcial ou que se comprometeram a aplicar regras. Dentre os parceiros comerciais presentes nesta faixa estão a União Europeia, Canadá e México, que foram taxados em 10%.

A expectativa do Itamaraty é de que, se adotadas, a tarifa adicional será cumulativa às últimas decisões do governo Trump ao Brasil. Já o governo do Brasil emitiu um comunicado declarando “profunda discordância com a conclusão preliminar”.

Por fim, ainda reiterou: “O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações preliminares do USTR não se convertam em tarifas efetivas e reitera que adotará medidas para reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros”.

Taxa ainda não está em vigor

O governo dos EUA, em relatório, afirmou que as tarifas não entram em vigor automaticamente. A decisão passará, em primeiro, por consulta pública, recebendo comentários em escrito até o dia 06 de julho de 2026. Após, no dia 07, o USTR realizará audiências públicas para debater as medidas propostas.

Taxa de 25% ao Brasil foi proposta ainda esta semana

Nesta segunda-feira (01), o USTR determinou a imposição de tarifa 25%, após finalização de investigação sobre o Brasil. De acordo com apuração de O Brasilianista, a averiguação iniciou em 15 de julho de 2025, e determinou que as ações do governo brasileiro são discriminatórias e restringem o comércio dos EUA.

A medida afeta produtos como: máquinas e equipamentos; madeira e manufaturados e produtos elétricos. No entanto, a ação isenta alguns bens exportados da tarifa, como café, chá, especiais, cereais, sementes, terras raras, produtos químicos e orgânicos e peças do setor aeronáutico.

O governo brasileiro ainda pode negociar com o norte-americano sobre a aplicação da medida. Isso, pois, como apurou O Brasilianista, a decisão ainda não é definitiva. Assim como a tarifa adicional, o texto passará por audiência pública.

Setor aeronáutico

Entre os produtos isentos da tarifa, o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador associado do Centro de Estudos das Negociações Internacionais da USP (CAENI), Vinícius Guilherme Rodrigues Vieira, destacou o setor aeronáutico entre as exceções.

Segundo o especialista, em entrevista a O Brasilianista, a decisão foi mantida pois afetaria tanto o mercado norte-americano quanto o brasileiro, visto que a cadeia produtiva de ambos estão interligadas. Isso ocorre, pois o Brasil possui uma posição estratégica mundial na produção de aeronaves comerciais e executivas, importando componentes americanos para a sua fabricação.

A relação entre as tarifas dos EUA e o PIX

Ao anunciar a tarifa de 25% aos produtos brasileiros, o USTR fez menção direta ao sistema de pagamentos instantâneos, o PIX. Em seu relatório, conforme apuração de O Brasilianista, afirmou que o sistema operado pelo Banco Central (BC) prejudica injustamente empresas americanas que atuam no ramo, como o MasterCard, Visa e WhatsappPay.

Apesar do BC não proibir que as empresas criem mecanismos similares ao PIX, o presidente dos EUA, Donald Trump, observa o crescimento da operação pela América Latina. Deste modo, caso o sistema de pagamentos se espalhe pelo continente, o presidente vê ameaça às empresas americanas.

Acompanhe O Brasilianista e se mantenha informado