O filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi concebido para contar a ascensão do então deputado à Presidência da República em 2018.
Antes mesmo da estreia, porém, a produção se tornou protagonista de uma sequência de polêmicas que atravessam investigações policiais, contratos públicos, suspeitas sobre financiamento privado e disputas eleitorais.
Nos últimos meses, o longa passou a aparecer com frequência não nas páginas de cultura, mas no centro do debate político nacional.
O que começou como uma produção cinematográfica internacional acabou se transformando em uma das maiores crises envolvendo aliados do bolsonarismo em ano eleitoral.
O novo capítulo surgiu nesta semana, quando a Polícia Civil de São Paulo deflagrou a Operação Wi-Fi para apurar possíveis irregularidades em contratos firmados pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, responsável também pela produtora Go Up Entertainment, que assina o filme.
O mesmo instituto recebeu R$ 5 milhões da Secretaria de Educação do Distrito Federal para implantar um programa de transformação digital em escolas públicas da capital federal.
O caso Vorcaro levou o filme ao centro da campanha eleitoral
A crise começou a ganhar dimensão nacional em maio, após a divulgação de mensagens, comprovantes e áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro.
Reportagem do O Brasilianista mostrou que a repercussão ultrapassou as fronteiras do país. Veículos internacionais passaram a tratar o episódio como uma ameaça potencial à campanha presidencial do senador.
As informações indicavam uma negociação para obtenção de recursos destinados ao financiamento do filme. O projeto, que já era considerado uma produção de grande porte, passou a ser analisado sob uma nova perspectiva.
O mesmo levantamento destacou que a Bloomberg associou a divulgação do caso à deterioração da percepção dos investidores sobre o cenário político brasileiro, enquanto o jornal argentino La Nación classificou a situação como uma crise de proporções ainda incalculáveis.
Reação do Planalto elevou a temperatura política
Com o crescimento da repercussão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi questionado sobre o caso durante agenda oficial. Conforme relatado pelo O Brasilianista, Lula evitou comentar o mérito das investigações, mas sinalizou que o tema deveria ser tratado pelas autoridades competentes.
A declaração reforçou o peso político que o assunto havia adquirido. Até então, a produção era vista apenas como uma iniciativa ligada ao campo conservador. A partir daquele momento, passou a integrar o debate eleitoral nacional.
O episódio ganhou ainda mais relevância porque Flávio Bolsonaro aparecia como um dos principais nomes da direita para a disputa presidencial.
Aliados começaram a demonstrar preocupação
As consequências políticas não demoraram a aparecer. O Brasilianista mostrou que apoiadores e potenciais financiadores da campanha de Flávio passaram a demonstrar preocupação com os desdobramentos do caso.
O receio estava relacionado não apenas às investigações em andamento, mas ao desgaste provocado pela associação constante entre o nome do senador, Daniel Vorcaro e o financiamento de “Dark Horse”.
Na avaliação de integrantes do campo conservador, o episódio poderia dificultar a construção de alianças e comprometer a narrativa política construída para a eleição.
Pressão abriu espaço para outros nomes da direita
O Brasilianista informou que aliados passaram a discutir cenários alternativos para o campo bolsonarista caso o desgaste da imagem de Flávio Bolsonaro continuasse crescendo.
Nomes como Michelle Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema passaram a ser citados com mais frequência nos bastidores políticos.
As discussões ganharam força porque as investigações passaram a levantar dúvidas não apenas sobre o financiamento da produção, mas também sobre a movimentação de recursos ligados ao projeto.
Embora não exista acusação formal contra Flávio Bolsonaro relacionada ao filme, o caso se tornou um fator de instabilidade para sua pré-candidatura.
Novas investigações ampliaram a crise
O avanço das apurações levou a novos desdobramentos. O Brasilianista revelou que uma ONG controlada por Karina Ferreira da Gama apresentou notas fiscais consideradas irregulares em contratos analisados por órgãos de fiscalização.
A entidade possuía contratos milionários com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de internet gratuita em regiões periféricas da cidade.
As informações aumentaram a pressão sobre o entorno do filme porque Karina também aparece como figura central na estrutura empresarial responsável pela produção de “Dark Horse”.
O caso passou então a envolver não apenas questões políticas e eleitorais, mas também investigações relacionadas à utilização de recursos públicos.
Mário Frias também entrou no radar
Os problemas não ficaram restritos aos financiadores. O Brasilianista divulgou que o deputado federal Mário Frias, que atuou como produtor-executivo do filme, passou a enfrentar questionamentos após denúncias envolvendo uma ex-funcionária de seu gabinete.
As revelações ampliaram a exposição negativa de pessoas diretamente associadas à produção. O parlamentar já ocupava posição relevante dentro do projeto por participar da construção da narrativa do longa-metragem.
Operação Wi-Fi cria novo capítulo
O Brasilianista explicou que a Operação Wi-Fi foi aberta para investigar um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil.
A investigação procura esclarecer se houve irregularidades na execução do projeto e se recursos públicos podem ter sido utilizados de forma inadequada.
A mesma entidade também recebeu recursos do Governo do Distrito Federal para executar programas voltados à educação pública.

