Um vazamento de dados do iFood expôs dados de cerca de 1,2 milhão de usuários da plataforma no final de 2025, pelo qual a empresa reconheceu a falha nesta quarta-feira (03).
Segundo a empresa, o evento foi isolado e envolveu dados cadastrais, como nome e CPF, sem qualquer comprometimento de senhas ou credenciais de acesso às contas. O episódio foi “rapidamente neutralizado pelos protocolos de segurança”.
No entanto, o iFood não foi a única empresa que já sofreu com vazamento de dados de clientes nos últimos anos. Nem a própria Polícia Federal (PF) escapou de ataques hackers que garantiram informações confidenciais.
Ricardo Maffeis advogado especialista em Proteção de Dados e Direito Digital, sócio do escritório Maffeis Advocacia, explica que casos como esse geram riscos de golpes de engenharia social. Isso porque, no momento em que uma pessoa mal intencionada obtém dados pessoais como nome completo, CPF, senha, e-mail e endereço de usuários comuns, essas pessoas se tornam mais vulneráveis.
Outros casos de vazamentos de dados
Polícia Federal e governo brasileiro
Em 2021, a Polícia Federal passou por uma invasão em seu site que pode estar conectada ao ataque que derrubou os sistemas do Ministério da Saúde.
O ConecteSUS, que reúne dados das vacinações dos brasileiros, ficou fora do ar durante dias após hackers invadirem o sistema e “brincarem” com as informações de usuários.
Os invasores digitais tiveram acesso ao repositório de senhas da Claro/Embratel, que foi contratada pelo governo de Jair Bolsonaro para transferir os bancos de dados públicos para uma nuvem.
Com esses dados, eles conseguiram acessar pastas salvas na plataforma gerida pela empresa de telefonia e fornecida pela Amazon via o serviço Amazon Web Service (AWS, na sigla em inglês).
Antes da PF, a Polícia Rodoviária Federal também foi vítima dos hackers, assim como mais de 20 órgãos do governo, incluindo ministérios.
Netshoes
Em 2018, a Netshoes registrou vazamento de dados de quase 2 milhões de clientes com informações de usuários cadastrados no site de compras. O incidente de segurança comprometeu dados pessoais como nome, CPF, e-mail, data de nascimento e histórico de compras. Poucos meses depois, a empresa fez os contatos com os clientes atingidos.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) firmou em 2024 um termo de ajustamento de conduta (TAC) com a empresa. A companhia ficou sob a responsabilidade de pagar indenização de R$ 500 mil para os afetaos, que serão recolhidos mediante depósitos no Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD).
Banco Inter
Em 2018, o Banco Inter passou por relevante vazamento de dados pessoais de clientes da instituição. Foram cerca de 20 mil correntistas afetados pela liberação de dados como bancários, número da conta, senha, endereço, CPF e telefone.
Até mesmo clientes de outras instituições financeiras foram afetados pelo vazamento.
O Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) condenou o banco ao pagamento de R$ 10 milhões, a título de indenização, em razão de não ter tomado os cuidados necessários para garantir a segurança dos dados pessoais de seus clientes e não clientes.

