O Brasil está enfrentando um verdadeiro ataque tarifário dos Estados Unidos nesta semana. Em menos de dois dias, o governo de Donald Trump anunciou duas taxas às importações brasileiras, uma delas é exclusiva ao país, enquanto a outra faz parte de uma lista de países prejudicados.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sugeriu uma tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros, e outra de 12,5% sobre diversos países (53), incluindo o Brasil, com a justificativa de uma investigação sobre trabalho forçado.
Entre os produtos que estão fora dessas taxações encontram-se café, algumas carnes, frutas, cereais, fertilizantes, medicamentos, minerais estratégicos e parte dos produtos ligados ao setor aeroespacial.
O governo federal e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestaram contra a decisão e reforçaram “profunda discordância com a conclusão preliminar”, além de garantir que usará meios legais diante da notícia que vai no sentido contrário ao multilateralismo.
“O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações preliminares do USTR não se convertam em tarifas efetivas e reitera que adotará medidas para reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros”, disse o governo em nota.
O que é a taxa de 12,5%?
O relatório do USTR aponta que o Brasil não possui regime eficaz no controle de importação para mercadorias fabricadas em regime de trabalho forçado, impondo 12,5% de tarifa adicional à todos os produtos brasileiros.
A decisão está baseada na seção 301 da Lei do Comércio dos Estados Unidos, de 1974, e a investigação foi iniciada em março deste ano. Além do Brasil, a tarifa adicional foi imposta a outros países, como a China e a Índia.
No entanto, o governo norte-americano definiu outro nível de taxação às nações que possuem proibição parcial ou que se comprometeram a aplicar regras, como União Europeia, Canadá e México, que foram taxados em 10%.
Apesar de possuir compromissos contra o trabalho escravo em acordos de livre comércio, o USTR avaliou que as práticas realizadas pelo governo brasileiro são irracionais e prejudiciais ao mercado norte-americano.
O que é a taxa de 25%?
Na última segunda-feira (1º) o USTR publicou a possibilidade imposição de tarifa 25%, após finalização de investigação sobre o Brasil.
De acordo com apuração de O Brasilianista, a averiguação iniciou em 15 de julho de 2025, e determinou que as ações do governo brasileiro são discriminatórias e restringem o comércio dos EUA.
A medida afeta produtos como: máquinas e equipamentos; madeira e manufaturados e produtos elétricos. No entanto, a ação isenta alguns bens exportados da tarifa, como café, chá, especiais, cereais, sementes, terras raras, produtos químicos e orgânicos e peças do setor aeronáutico.
As taxas já estão em vigor?
Não. Até o momento, as taxas são consideradas pelo governo americano, anunciadas com possibilidade de direito à resposta do Brasil e nova análise e julgamento.
Contudo, a expectativa do Itamaraty é de que, se adotadas, a tarifa adicional será cumulativa às últimas decisões do governo Trump ao Brasil. Ou seja, nos produtos elegíveis, as taxas podem chegar a 37,5%.
O Brasil tem alternativa?
O governo brasileiro ainda pode negociar com o norte-americano sobre a aplicação das medidas. Isso, pois, como apurou O Brasilianista, a decisão ainda não é definitiva. Assim como a tarifa adicional, o texto passará por audiência pública.
Em entrevista exclusiva a O Brasilianista, Wandemberg Almeida, Presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará, apontou o que mais o governo poderia fazer caso as taxas sejam confirmadas e aplicadas.
“O Brasil precisa atuar em duas frentes principais: diplomática e comercial. A prioridade é buscar negociação para evitar uma escalada das tensões e reduzir os impactos sobre as exportações brasileiras”, afirma.
Para o especialista, o país ainda pode ampliar seus mercados paralelamente para seus produtos, fortalecendo relações com outros parceiros comerciais e reduzindo a dependência do mercado americano. Os EUA são o terceiro maior parceiro comercial do país.
“Uma resposta técnica e estratégica é o melhor caminho para preservar a competitividade das empresas brasileiras, proteger empregos e minimizar os efeitos de um eventual aumento das barreiras comerciais”, diz.
O que o Pix tem a ver com as taxações?
Além das tarifas anunciadas, o USTR fez menção direta da investigação ao sistema de pagamentos instantâneos, o PIX. Em seu relatório, conforme apuração de O Brasilianista, afirmou que o sistema operado pelo Banco Central (BC) prejudica injustamente empresas americanas que atuam no ramo, como o MasterCard, Visa e WhatsappPay.
Apesar do BC não proibir que as empresas criem mecanismos similares ao PIX, o presidente dos EUA, Donald Trump, observa o crescimento da operação pela América Latina.
Ou seja, caso o sistema de pagamentos se espalhe pelo continente, o presidente vê ameaça às empresas americanas. No entanto, é incorreto dizer que os EUA tentam taxar o Pix ou encerrá-lo, visto que não é decisão dos estadunidenses modificar os mecanismos financeiros estabelecidos pelo Banco Central brasileiro.

