A controladora da Braskem, a gestora IG4 Capital, deve apresentar nas próximas semanas um pedido de recuperação extrajudicial da companhia.
A discussão sobre uma possível reestruturação financeira não é nova e vem sendo acompanhada pelo mercado há mais de um mês, em meio a negociações com credores, mudanças no controle da empresa e uma série de passivos acumulados ao longo dos últimos anos, incluindo disputas judiciais, condenações internacionais, indenizações ambientais e os desdobramentos da Operação Lava Jato.
Como a Braskem se tornou uma das maiores petroquímicas do mundo
Fundada em 2002, a Braskem se consolidou como a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas e uma das maiores petroquímicas globais.
A companhia produz matérias-primas utilizadas em diversos setores industriais, como construção civil, indústria automotiva, embalagens, eletroeletrônicos e bens de consumo.
O Brasilianista mostrou que a empresa também investiu nos últimos anos em iniciativas ligadas à economia circular e ao chamado plástico verde, produzido a partir do etanol da cana-de-açúcar.
Além das operações no Brasil, a companhia mantém unidades industriais nos Estados Unidos, México e Europa. A relevância da empresa para a indústria química transformou a Braskem em um dos principais ativos do setor petroquímico brasileiro, com participação estratégica da Petrobras em sua estrutura societária.
A mudança mais recente no controle ocorreu após a entrada da gestora IG4 Capital. Como informou O Brasilianista, a Novonor, antiga Odebrecht, firmou um acordo para transferir sua participação para um fundo administrado pela gestora, operação que envolveu a reestruturação de aproximadamente R$ 20 bilhões em dívidas garantidas por ações da própria companhia.
Reestruturação financeira ganhou força nos últimos meses
As discussões sobre uma possível recuperação extrajudicial se intensificaram após a conclusão da transferência do controle para a IG4 Capital.
Como divulgou O Brasilianista, a nova administração assumiu a companhia em um momento considerado decisivo, diante da necessidade de honrar compromissos financeiros e renegociar passivos acumulados.
A empresa avaliava alternativas de reestruturação junto aos credores. A expectativa era que a nova composição acionária, compartilhada entre a IG4 e a Petrobras, permitisse acelerar medidas voltadas ao equilíbrio financeiro da companhia.
A Petrobras formalizou um acordo de governança com o fundo ligado à IG4, estabelecendo um modelo de controle compartilhado e preparando terreno para uma reorganização mais ampla.
A Braskem encerrava 2025 com dívida líquida de aproximadamente US$ 7,5 bilhões e endividamento bruto próximo de US$ 9,4 bilhões.
A estratégia da controladora é reunir apoio suficiente dos credores para protocolar um pedido de recuperação extrajudicial ainda neste mês, evitando desembolsos imediatos relacionados a títulos de dívida.
Desastre ambiental em Alagoas permanece como um dos maiores passivos
Entre os principais fatores que pressionam a situação financeira da Braskem está o caso envolvendo a exploração de sal-gema em Maceió.
O afundamento do solo em diversos bairros da capital alagoana provocou a retirada de milhares de moradores e gerou uma série de indenizações, acordos judiciais e obrigações financeiras para a companhia.
As dívidas ligadas aos danos provocados pelas antigas operações de mineração em Alagoas continuam entre os principais desafios enfrentados pela petroquímica.
O caso ganhou repercussão internacional e se transformou em uma das maiores crises socioambientais da história recente do país. Além dos custos de compensação às famílias afetadas, a companhia passou a enfrentar questionamentos sobre sua governança e sobre a condução das atividades de mineração que deram origem ao problema.
Lava Jato, condenações e disputas judiciais ampliaram dificuldades
Outro capítulo que continua influenciando a trajetória da empresa está ligado aos desdobramentos da Operação Lava Jato. A antiga controladora da Braskem, a Odebrecht, firmou acordos para colaborar com as investigações em troca de punições menores e enfrentou condenações relacionadas ao esquema de corrupção investigado pelas autoridades brasileiras e estrangeiras.
As consequências financeiras desses processos impactaram diretamente a estrutura societária da petroquímica. Parte relevante do endividamento da Novonor foi construída após os desdobramentos da Lava Jato, quando ações da Braskem passaram a ser utilizadas como garantia em operações financeiras.
Nos últimos anos, a companhia também passou a enfrentar disputas judiciais em tribunais internacionais. Entre elas está a condenação envolvendo processos analisados na Holanda, tema que voltou ao debate durante as negociações sobre o futuro da empresa e aumentou a preocupação de investidores em relação aos riscos jurídicos ainda existentes.
Próximos passos da recuperação
A expectativa do mercado agora está voltada para a apresentação formal do plano de recuperação extrajudicial e para a adesão dos credores ao acordo que está sendo costurado pela controladora.
Caso obtenha apoio suficiente, a medida poderá permitir a renegociação de parte das obrigações financeiras sem recorrer a um pedido de recuperação judicial tradicional.

