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Geopolítica

Análise: Trump quer ganhar, seja com Lula ou com Flávio

O Brasil é um mercado atraente para qualquer investidor, por isso que Trump fica com um pé na canoa lulista e outro na de Bolsonaro

Análise: Trump quer ganhar, seja com Lula ou com Flávio

O presidente dos EUA é um negociante nato. Cresceu em um ambiente em que a ambição vai além dos limites morais estabelecidos nos últimos séculos pelas democracias ilumistas ocidentais. Para Donald Trump, não importa com quem se negocia, pois o que vale é o resultado positivo e lucrativo (para ele).

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Um exemplo disso é a relação do presidente dos EUA com o pedófilo condenado Jeffrey Epstein. Trump, assim como outros políticos do país e do mundo, nunca ligou para o que Epstein fazia. Ele queria saber da influência e dos contatos que poderia obter naquele ambiente digno de filmes escatológicos.

É com base nessas premissas que Trump lucra nas relações que mantém com Lula e Flávio Bolsonaro. Ao dialogar com o presidente brasileiro, o líder dos EUA tenta manter sob influência norte-americana a nação que pode desequilibrar as guerras em curso e as que serão iniciadas nos próximos anos.

Foi assim com Franklin Roosevelt e Getúlio Vargas (ídolo do petista) na Segunda Guerra Mundial. Sem o Brasil — que apoiou os aliados com bases militares, commodities e vidas de seus cidadãos — a vitória sobre os fascistas italianos e nazistas alemães teria sido mais difícil, se não impossível.

No futuro, as terras raras brasileiras e o agronegócio nacional serão essenciais para as nações aliadas do Brasil. Para além das questões de guerra, o Brasil também é um mercado atraente para qualquer investidor, mesmo sendo uma bagunça tributária, institucional e social. É por isso que Trump fica com um pé na canoa lulista e com o outro na de Flávio Bolsonaro.

Ao agradar o filho mais velho de Jair Bolsonaro, Trump não só mantém boas relações com um candidato aparentemente competitivo à Presidência do Brasil, mas também agita sua militância de extrema-direita nos EUA, que vê nas terras brasileiras um quintal muito mais abundante do que o México, por exemplo.

Essa visão também agrada a Extrema-Direita brasileira. Entreguista em sua gênese, esse grupo diz defender o nacionalismo brasileiro com uma bandeira dos EUA amarrada no pescoço e pede que Trump salve o Brasil de um inimigo imaginário comunista num mundo em que até a China se tornou uma economia de mercado.

Com esse jogo duplo, Trump tenta impor tarifas desmedidas e sem base factual sobre o Brasil e classifica o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas pensando nas eleições de meio de mandato que se avizinham nos EUA e podem retirar do presidente dos EUA o controle sobre o Legislativo.

A certeza da vitória de Trump virá das urnas em novembro. Se os Republicanos — que se tornaram reféns de Trump por sua própria incompetência — mantiverem a maioria legislativa, o presidente dos EUA fará o que quer, quando quer e como quer. Caso contrário, o líder norte-americano viverá dois anos de crise, respondendo a processos de impeachment e sangrando até a eleição presidencial de 2028.