Com foco na economia nacional, o Conselho de Estado da República Popular da China anunciou, nesta semana, novas medidas de protecionismo econômico. Enquanto tensão global aumenta, o país divulgou nova triagem de segurança pública para empresas que buscam investimento no exterior.
A ação pretende prevenir que o investimento financeiro e tecnológico de companhias chinesas evadam o país para o mercado externo. Deste modo, a política implementada segue as novas regulamentações publicadas em abril, permitindo que as autoridades intervenham nos casos em que empresas estrangeiras tentem realocar cadeias de suprimentos para fora da China.
Como exemplificação da nova política está o bloqueio da aquisição da Manus pela Meta. A startup de Inteligência Artificial (IA) teve proposta de US$ 2 bilhões pela big tech, no entanto, o acordo não foi fechado por decisão de Beijing. Outras decisões tomadas pela república para evitar cooperação entre empresas chinesas e investidores dos Estados Unidos e União Europeia têm aumentado a tensão entre as economias globais.
Encontro de Xi Jinping e Donald Trump em clima de tensão
Em maio deste ano, os presidentes dos EUA e da China se encontraram em clima de tensão. A reunião ocorreu em momento crítico, com a guerra comercial dos países, tensões em Taiwan e os conflitos no Oriente Médio. Segundo apurou O Brasilianista, ambas autoridades pretendiam diminuir danos econômicos, sem abrir mão de seus objetivos centrais.
Em entrevista a O Brasilianista, o mestre em Segurança Pública, especialista em Ciência Política, Sistemas de Segurança e Defesa, historiador e analista em geopolítica Rodolfo Laterza, explica que, no momento, os dois lados sofreram com os impactos econômicos da disputa.
Para o especialista, o objetivo de Trump no encontro era de diminuir os efeitos econômicos deteriorados com a relação econômica com a China. Já para Xi Jinping, o principal interesse era impedir que a disputa entre as nações se intensificasse, tanto economicamente quanto para a geopolítica.
Ao final do encontro, de acordo com apuração de O Brasilianista, nenhuma decisão concreta foi tomada, porém, a reunião serviu como sinal político e diplomático entre as potências.
Relação econômica entre Brasil e China
Dentre as novas medidas estabelecidas pela China, uma delas atinge o setor do agronegócio brasileiro. Segundo apurou O Brasilianista, desde o dia 01 de junho de 2026, fabricantes que exportam para o país estão sujeitos a novas burocracias.
Produtores de 17 categorias terão novas regras para armazenamento e registro da mercadoria, pelo decreto nº 280 da Administração Geral de Alfândegas da China (GAC). Entre os itens, foram citados: carne e derivados, produtos lácteos, ovos e produtos aquáticos. As empresas precisarão garantir relatório de inspeção de qualidade e carta de recomendação da autoridade competente brasileira.
Exportações para a China
O parceiro econômico brasileiro ocupa o primeiro lugar nas exportações agrárias, com 40% da pauta exportadora do setor em abril de 2026. No mesmo período em 2025, o resultado era 21,8% menor. Na lista, a União Europeia aparece em segundo lugar, com 14% de participação, enquanto os Estados Unidos ocupam a terceira colocação, com 6%.
A parceria Brasil e China vai além das exportações. Isso, pois, os países possuem acordos de investimento direto em infraestrutura e produção. Segundo apurou O Brasilianista, os investimentos chineses somaram US$ 6,5 bilhões entre 2023 e 2024, o maior volume da América Latina.

