Entre pagamentos mensais, viagens, jantares, festas, entre outros, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ofereceu uma série de agrados para políticos e autoridades.
Segundo o investigado por fraude bancária — de mais de R$ 50 bilhões causados ao FGC — e corrupção, os pagamentos realizados a políticos foram motivados por relações de amizade, sem exigir contrapartidas. Essa afirmação a seus advogados aconteceu após a rejeição da primeira proposta de delação premiada, há duas semanas.
Em contrapartida, O Brasilianista mostrou que o ex-banqueiro fazia pagamentos mensais de R$ 300 mil desde pelo menos 2021, aumentando para R$ 500 mil em 2023. Em troca, Ciro garantia apoio aos projetos de Vorcaro em Brasília.
Além disso, Vorcaro teria repassado US$ 10,6 milhões, equivalentes a cerca de R$ 61 milhões, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a produção do filme “Dark Horse”. O empresário queria controlar a forma como o filme seria divulgado também.
No âmbito da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal (PF) descobriu que Vorcaro promoveu uma degustação de uísques e charutos em maio de 2024 para o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e diversos outros políticos e autoridades em Nova York, nos Estados Unidos. O governador facilitava os negócios do dono do Master no estado.
O ex-banqueiro desembolsou ao menos R$ 11,9 milhões para organizar eventos para políticos e autoridades que estiveram na cidade americana nessa mesma época, de acordo com a apuração dos investigadores. Para além da degustação, ele ofereceu um jantar e uma festa com mulheres que ficou conhecida como “noite das astronautas”.
Além de Ciro Nogueira, Vorcaro ainda manteve vínculos financeiros com os ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Os vínculos são a venda de cotas de uma empresa da família de Toffoli para um fundo ligado ao Master, além de um contrato de prestação de serviço assinado entre o Master e a advogada Viviane Barci, esposa de Moraes.
Nova delação premiada
A defesa do banqueiro entregou uma nova proposta de delação premiada à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR), após duas semanas que os investigadores rejeitaram a primeira.
Fontes que acompanham a negociação disseram ao Estadão que o dono do Banco Master incluiu novos assuntos e foi entregue na última segunda-feira (1º).
No novo documento, Vorcaro alegou a relação de “amizade” com os políticos que recebiam pagamentos do empresário. Os investigadores ainda avaliam a nova proposta. Vale lembrar que a delação antiga foi considerada insuficiente por demonstrar informações que já tinham sido constatadas pelas informações no celular do ex-banqueiro.
A equipe do procurador-geral da República, Paulo Gonet, vinha demonstrando mais disponibilidade para levar a negociação adiante, mas a PF apontou posição negativa diante da nova proposta de delação. No entanto, a PF deu uma nova chance para analisar a proposta visto que a PGR deu um prazo para que a delação inicial fosse complementada.

