A oferta subsequente de ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), etapa que deve concluir o processo de privatização da empresa, recebeu demanda próxima de R$ 50 bilhões, com cerca de 200 ordens registradas por investidores.
A operação será precificada nesta quinta-feira (11) e a procura superou em várias vezes o volume de ações colocado à venda, conforme revelou o Valor Econômico.
A tendência é que o preço por ação fique em R$ 49,03, valor ofertado pela Equatorial e acima do mínimo exigido de R$ 47,23. Caso o lote adicional seja totalmente distribuído, a operação poderá movimentar mais de R$ 6 bilhões.
A Equatorial apresentou proposta para assumir uma participação de 30% na companhia mineira após a desistência da Aegea, considerada uma das principais interessadas na disputa. Os recursos arrecadados com a venda serão destinados ao caixa do governo de Minas Gerais.
Caminho para a venda da estatal
A possibilidade de privatização da Copasa começou a ganhar força após mudanças aprovadas pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Como informou O Brasilianista, os deputados estaduais aprovaram em outubro de 2025 uma Proposta de Emenda à Constituição que retirou a exigência de referendo popular para autorizar a privatização de empresas de saneamento.
Na ocasião, a proposta enviada pelo governador Romeu Zema foi aprovada em primeiro turno por 52 votos favoráveis e 18 contrários. A medida foi considerada o primeiro passo institucional para viabilizar a venda da companhia e de sua subsidiária Copanor.
A mudança permitiu que uma eventual privatização passasse a depender exclusivamente da aprovação da Assembleia Legislativa, eliminando a necessidade de consulta popular prevista anteriormente para esse tipo de operação.
O debate em torno da proposta mobilizou parlamentares favoráveis e contrários ao projeto. Enquanto aliados do governo defendiam a medida como forma de acelerar investimentos no setor, opositores argumentavam que a população deveria participar da decisão sobre o futuro da estatal.
Interesse do mercado chama atenção
A elevada demanda registrada na oferta demonstra o interesse do mercado financeiro pela companhia mineira. O número de ordens recebidas ficou muito acima da quantidade de ações disponibilizadas na operação.
A Equatorial, que apresentou a única proposta vinculante após a saída da Aegea do processo, deve desembolsar aproximadamente R$ 5,8 bilhões para assumir a participação estratégica na empresa.
A companhia também havia manifestado interesse em ampliar sua posição por meio da oferta pública, possibilidade que pode ser limitada pelo forte apetite dos investidores.
O processo é coordenado por um grupo de instituições financeiras formado por BTG Pactual, Itaú BBA, UBS BB, Bank of America e Citi.
A definição do preço final ocorre após a consolidação das intenções de investimento apresentadas durante o período de coleta de demandas.
A operação representa uma das maiores transações envolvendo empresas estaduais de saneamento dos últimos anos e ocorre em meio à busca dos estados por alternativas de financiamento para ampliar investimentos em infraestrutura e universalização dos serviços.
Dívida estadual esteve no centro da discussão
Durante a tramitação da proposta de privatização, o governo mineiro argumentou que a venda da participação do Estado poderia contribuir para reduzir os impactos da dívida de Minas Gerais com a União.
Romeu Zema defendia que os recursos obtidos com a alienação da participação estadual fossem utilizados para amortizar encargos relacionados ao passivo do estado junto ao governo federal, estimado em cerca de R$ 40 bilhões.
O governador também sustentava que Minas Gerais não possuía capacidade financeira suficiente para realizar os investimentos necessários ao cumprimento das metas previstas no novo marco legal do saneamento. A universalização dos serviços é uma das exigências estabelecidas pela legislação federal para os próximos anos.
Já setores contrários à privatização destacavam que a Copasa registrou lucro de R$ 1,32 bilhão em 2024 e defendiam alternativas para o equilíbrio fiscal do estado sem a necessidade de venda da companhia.

