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Justiça

Caso Master e o fundo previdenciário em Pernambuco

Valores superiores a R$ 3 milhões teriam sido direcionados a investimentos de alto risco do banco

Caso Master e o fundo previdenciário em Pernambuco

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (10), a Operação Take Over para investigar irregularidades na gestão dos recursos do fundo previdenciário dos servidores públicos municipais de Paulista, em Pernambuco.

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As apurações indicam que valores superiores a R$ 3 milhões teriam sido direcionados a investimentos de alto risco no Banco Master, por meio de decisões tomadas em desacordo com as normas legais e os procedimentos de governança exigidos para a administração de recursos previdenciários.

De acordo com a PF, há indícios de que decisões estratégicas teriam sido tomadas de forma isolada, sem a devida observância dos critérios de segurança, liquidez e transparência.

Integrantes da gestão do instituto previdenciário PrevPaulista foram alvos de buscas. Além disso, foi identificada a troca de e-mails com uma assessora comercial do banco controlado por Daniel Vorcaro. A investigação busca esclarecer, ainda, se a conduta caracteriza gestão temerária ou fraudulenta.

Os investigadores apuram eventuais práticas de crimes contra a Administração Pública e o sistema financeiro. As diligências da PF também visam verificar o recebimento de vantagens indevidas por parte dos gestores do fundo.

Relembre o caso Dark Horse

A nova operação ocorre em um momento de aumento da pressão sobre o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, citado em diferentes investigações e reportagens publicadas nos últimos meses.

Reportagens do Intercept Brasil divulgaram documentos, mensagens e registros financeiros relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o veículo, documentos indicariam negociações envolvendo recursos atribuídos a Vorcaro para financiar o projeto cinematográfico

Outra reportagem do Intercept revelou auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) que apontam supostas irregularidades envolvendo o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização ligada à produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pelo filme. Segundo a publicação, auditorias identificaram indícios de superfaturamento e falhas na execução de projetos financiados com recursos do Sistema S em diferentes estados do país.

As informações divulgadas pelo Intercept passaram a integrar uma série de questionamentos públicos sobre a origem e a destinação de recursos relacionados ao projeto cinematográfico e a pessoas ligadas à sua produção. Até o momento, as acusações seguem sendo objeto de apurações e investigações.

Nova proposta de delação

A Operação Take Over ocorre em meio às negociações envolvendo uma nova proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro às autoridades. O ex-controlador do Banco Master alterou pontos centrais de sua versão anterior e passou a classificar como propina repasses realizados ao senador Ciro Nogueira, que antes descrevia como decorrentes de uma relação de amizade.

A nova proposta também teria incluído informações sobre a captação de recursos de regimes próprios de previdência municipais e estaduais, tema que guarda relação com a investigação aberta pela PF na Operação Take Over. Apesar disso, a colaboração ainda está sob análise das autoridades e não há decisão definitiva sobre sua homologação.

As menções a Ciro Nogueira surgem após a Operação Compliance Zero identificar indícios de repasses mensais que teriam variado entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de outros benefícios atribuídos a Vorcaro. O senador nega irregularidades.

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