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Justiça

Vorcaro e sua teoria da conspiração

Para ele, não há nada de errado

Vorcaro e sua teoria da conspiração

A segunda proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) já mostra uma nova postura do empresário: mudou aquilo que chamou de repasses de “amizade” e entregou que sua relação com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) era baseada em interesses do Banco Master junto ao Congresso Nacional.

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Como mostrou O Brasilianista, a relação entre Vorcaro e agentes políticos é um dos focos centrais da Operação Compliance Zero. O banqueiro teria realizado pagamentos mensais ao senador Ciro Nogueira desde pelo menos 2021, em valores que teriam começado em R$ 300 mil e alcançado R$ 500 mil em 2023.

A alteração ocorre após a rejeição da primeira proposta de colaboração e enquanto os órgãos responsáveis analisam a viabilidade de um eventual acordo.

Mas o real problema de Vorcaro é outro. Ele custa em admitir que cometeu qualquer crime. A Folha mostrou que fontes próximas ao banqueiro indicam que ele acredita fielmente não ter agido de forma antiética ou realizado qualquer crime — e ele afirma isso desde seus amigos, até assessores e advogados.

A teoria da conspiração

Aliados de Vorcaro afirmam que ele culpa sua situação atual a um potencial poder de rivais do mundo dos negócios que teriam trabalhado para ver o empresário em “desgraça”.

Vale lembrar que a primeira delação premiada do dono do Master foi considerada com informações insuficientes pela PF, PGR e também pelo relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Para ele, suas contribuições destinadas a políticos, empresas familiares de magistrados, ou até mesmo o financiamento do filme Dark Horse não seriam pagamentos de propina. Essas ações seriam, em sua visão, nada menos do que práticas comuns de empresários que desejam se aproximar do poder.

Um dos advogados do banqueiro afirmou à Folha que o entendimento de Vorcaro seria que a proximidade com essas figuras públicas poderia ajudá-lo a afastar seus adversários.

Os pagamentos do empresário

Conforme reportagem do O Brasilianista, as investigações da PF identificaram que Vorcaro financiou uma série de eventos de alto padrão frequentados por políticos e autoridades brasileiras no exterior. A apuração aponta que o empresário desembolsou pelo menos R$ 11,9 milhões para encontros realizados em Nova York durante 2024.

Entre os eventos está uma degustação de uísques e charutos realizada em Manhattan com a presença de figuras políticas como o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, o senador Ciro Nogueira e parlamentares federais.

Vorcaro ainda foi o principal financiador do filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda, O Brasilianista mostrou como ele queria controlar a repercussão midiática do longa metragem. Em negociações com o senador Flávio Bolsonaro, o empresário investiu cerca de R$ 134 milhões para a produção do longa.

Fraude do Master e milícia

O banqueiro responde por uma fraude bancária bilionária, além de ser investigado por atuar como miliciano em organizações criminosas e corrupção.

Ele foi acusado de, inclusive, ameaçar prestadores de serviço. Um dos episódios destacados pela PF como modelo miliciano de operação envolveu a intimidação de Luis Felipe Woyceichoski, comandante da embarcação de Daniel Vorcaro. Em 4 de junho de 2024, após Daniel ordenar que o grupo “fosse para cima”, sete homens foram até a Marina Bracuhy, em Angra dos Reis (RJ), para ameaçar o capitão.

A milícia chefiada pelos Vorcaro contava também com a participação de policiais federais. Um agente da ativa e outro aposentado, além de um delegado da PF, utilizaram seus cargos para acessar sistemas sigilosos para ajudar Daniel e Henrique a escaparem das autoridades.

O Banco Master é investigado por uma fraude estimada em R$ 12 bilhões realizada por meio de vendas de títulos financeiros e cartas de crédito sem lastro, além de pedidos de aumento de capital sem fundamento com o lucro das empresas.

O caso tomou forte repercussão após a tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), uma estatal, a fim de cobrir uma possível falência do banco privado. Funcionava assim: o Master oferecia CDBs com retornos muito acima do mercado, o banco utilizava os aportes em investimentos de alto risco e começou a perder sua liquidez de curto prazo. Caso acontecesse algum problema com a empresa, os clientes seriam ressarcidos pelo FGC em até R$ 250 mil.

Outras instituições financeiras ligadas ao grupo Master, como Reag e Will Bank, também foram liquidadas. É estimado que o rombo no FGC seja de quase R$ 50 bilhões, o que pode prejudicar toda a cadeia econômica dos próximos cinco anos.

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