Publicidade
Geopolítica

Trump anuncia que fará com Irã o que fez com a Venezuela

O presidente dos Estados Unidos declarou, pelas redes sociais, uma ofensiva ao país persa nesta noite de quinta-feira (11)

Trump anuncia que fará com Irã o que fez com a Venezuela

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou pela rede social Truth Social que atacará o Irã ainda nesta noite de quinta-feira (11). O objetivo da ofensiva militar é tomar o controle dos postos de petróleo e gás do país persa, assim como foi efetuado na Venezuela no ano de 2026.

Publicidade

De acordo com a publicação, o presidente afirma que a maior parte das instalações de defesa iranianas, como a Marinha, Defesa Antiaérea e Força Aérea, assim como a capacidade ofensiva do país, se encontram destruídas. Deste modo, o objetivo do ataque é controlar a Ilha de Kharg, que responde por aproximadamente 90% das exportações de petróleo iranianas.

Em nota, o Ministério de Relações Exteriores do Irã condenou os ataques, afirmando que eles tornaram o cessar-fogo de quase dois meses “praticamente sem sentido”. Esta seria a terceira noite de ataques estadunidenses ao Irã, apesar do acordo assinado. Em resposta às ofensivas, o país voltou a fechar totalmente o Estreito de Ormuz até segunda ordem.

O Brasilianista entrou em contato com a Embaixada dos Estados Unidos mas, até a publicação desta matéria, não teve retorno.

Trump deseja realizar no Irã o que conquistou na Venezuela

Em janeiro de 2026, a capital da Venezuela, Caracas, sofreu um ataque dos Estados Unidos, e o então presidente, Nicolás Maduro, foi capturado e levado pelas autoridades estadunidenses. Segundo apurou O Brasilianista, o ex-presidente é investigado por crimes de conspiração para o narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas, posse de metralhadoras e dispositivos de uso potencial contra os EUA. Após a ofensiva que capturou o ex-líder, a presidência foi assumida por Delcy Rodriguez, a mando dos EUA.

No mesmo dia dos ataques, Donald Trump afirmou, em coletiva de imprensa, o objetivo de governar a Venezuela, além de controlar por tempo indeterminado o petróleo do país.

De acordo com O Brasilianista, o governo interino da Venezuela iniciou o repasse de 30 a 50 milhões de barris de petróleo para o mercado estadunidense. O anúncio foi feito poucos dias após a ação militar americana no país latino, que deixou, ao menos, 55 militares venezuelanos e cubanos mortos.

Na declaração, Trump afirmou que os barris seriam vendidos de acordo com as normas do comércio internacional. Os valores adquiridos com a transação ficariam sob o controle dos EUA.

O volume anunciado abarcava cerca de dois meses da produção do petróleo venezuelano, limitada por sanções e dificuldades estruturais a respeito do setor energético. Segundo apurou O Brasilianista, o país possui a maior reserva de petróleo comprovada do mundo, no entanto, a extração do material requer investimentos tecnológicos pesados, diminuindo e dificultando a extração.

Instalações militares dos EUA no golfo pérsico

Os EUA possuem mais de uma dezena de bases militares em países no Oriente Médio.O G1 mostrou que, das 19 instalações permanentes, 8 são comandadas diretamente pelos estadunidenses, além de possuir tropas e equipamentos em 11, conforme o Congresso dos Estados Unidos.

Segundo o levantamento, a instalação do Catar é a maior entre as da região, com 10 mil tropas. A instalação também abriga o quartel general do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom). No Kuwait, os EUA possuem uma base para centro logístico e núcleo operacional, com suprimentos e mobilização efetiva. O local conta com cerca de 9 mil soldados. Nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrain as instalações abrigam, respectivamente, parte da frota aérea e naval americana.

Contingente militar estadunidense e iraniano

Em comparação publicada pelo Valor Econômico, o Irã destina US$ 9,23 bilhões do seu orçamento para a defesa militar, enquanto os EUA investem US$ 831,5 bilhões. Além disso, o país persa possui arsenal aéreo com 551 aeronaves, 188 caças e 129 helicópteros. As forças navais iranianas correspondem a 109 embarcações e 25 submarinos, e o comboio terrestre conta com 2,6 mil tanques e 76 mil veículos blindados.

Há o poderio dos EUA conta com 13 mil aeronaves, cerca de 5,9 mil helicópteros e 19 mil caças para o combate aéreo. A frota marítima, por sua vez, é composta de 465 embarcações e 66 submarinos, enquanto a frota terrestre possui aproximadamente 4,6 mil tanques de guerra e 409,6 mil veículos blindados.

Histórico de perdas dos EUA no Oriente Médio

As guerras dos EUA a países no Oriente Médio não são novidades, assim como as suas derrotas. Artigo do escritor e jornalista Frei Betto comenta que a história dos EUA está intrinsecamente conectada às suas intervenções militares e ao seu poder bélico. No entanto, segundo o autor, nem sempre as ofensivas se traduziram em vitórias.

O jornalista destaca três grandes perdas estadunidenses, sendo a Guerra do Vietnã, a Guerra do Iraque e a do Afeganistão. A primeira, de acordo com o escritor, foi a mais humilhante para o país americano. Isso, pois, mesmo com intensos bombardeios e usando recursos proibidos pelas convenções internacionais, o Vietnã saiu vitorioso da batalha que perdurou de 1955 a 1975.

Além disso, o autor aborda a Guerra do Iraque (2003-2011) e a Guerra do Afeganistão (2001-2021), na qual os poderes estadunidenses forma derrotados da mesma maneira. Em ambas, após derrubar o governo vigente e gastar bilhões de dólares nas intervenções, as mesmas forças políticas se encontram no poder em ambos países árabes.

Acompanhe mais sobre geopolítica pelas redes sociais do O Brasilianista