O ano de 2026 conta com 10 feriados nacionais e, destes, 9 são emendas. Os longos períodos de pausa se traduzem em cifras na economia, com setores que crescem e outros que perdem faturamento.
Segundo o professor titular da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e Revisor de periódico da Revista de Economia Aplicada, Claudio Angelo Felisoni, não há homogeneidade no que diz respeito à movimentação econômica nos feriados. Isso se deve, pois, à grande variação entre os setores.
Setores que mais crescem
“Turismo e hospitalidade, tais como hotéis, pousadas e resorts, aluguel por temporada são beneficiados. Alimentação e entretenimento, nestes períodos de feriados, crescem. Varejo, supermercados, bebidas, alguns itens alimentares como churrasco, combustíveis de transporte também tendem a crescer”, comenta.
Conforme projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), entre os meses de novembro de 2025 e fevereiro de 2026, o setor de turismo deveria faturar cerca de R$ 218,77 bilhões. Caso a expectativa fosse confirmada, o avanço marcado no setor seria de 3,7% em relação a alta temporada de 2024-2025.
Para os meses de maio e junho, a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) estimou a movimentação de R$ 166,2 milhões no feriado prolongado de Corpus Christi, considerando, também, a Marcha para Jesus e a Parada do Orgulho LGBTQIAPN+. Conforme a entidade, o valor superaria em 7% o total arrecadado no mesmo período em 2025.
Setores que possuem prejuízo com as paradas
De acordo com o professor, fábricas, que param e reduzem a produção, serviços B2B, consultoria, mercado financeiro, logística e pontos de entrega são setores mais afetados negativamente com as paradas. No entanto, estes movimentos são pontuais, e tendem a se compensar ao longo do ano.
“Se você pegar o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil e dividir por 365 dias, você chega a R$ 35 bilhões por dia, aproximadamente. Esse seria o total do prejuízo em uma parada? Não. Porque você tem estes setores que crescem e outros que reduzem”, comenta.
Em pesquisa, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) estimou perda de R$ 17 bilhões ao comércio paulista para o ano de 2026. Com maior número de pausas em dias úteis, considerando as pontes e feriados, a associação estima 13,9% de perda no volume de vendas. Para o setor varejista, a estimativa é de 1,1% de prejuízo, um impacto relativamente pequeno.
Para o especialista, o percentual que representaria um dia parado pelo feriado desaparece ao longo do ano. “Em um ano como 2026, em que se têm muitas pontes, há mais chance de ter uma redução mais significativa”, explica o professor. “Por isso, muitas empresas fazem banco de horas, então as pessoas trabalham mais horas. Não vejo como uma perda significativa por termos mais feriados”.
Mudança de regras em trabalho durante feriados
Atualmente, segundo apuração de O Brasilianista, a Portaria nº 671/2021 autoriza, unilateralmente, o trabalho em feriados para o setor de comércio. Porém, o Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE) avaliou que o texto contraria a legislação vigente. Deste modo, foi proposta uma nova portaria, a 3.665/2023, prevendo o funcionamento do comércio em feriados a depender de acordo em convenção coletiva.
As mudanças foram prorrogadas em março de 2026 por 90 dias. Sendo assim, as alterações podem entrar em vigor neste mês de junho.
Feriados religiosos no Estado Laico
O calendário oficial, divulgado pelo Governo Federal, conta com 10 feriados nacionais e 9 pontos facultativos em 2026. Destes, 8 são datas religiosas e, em sua grande maioria, cristã e/ou católica, como o Natal, a Páscoa e Finados. Isso ocorre mesmo na condição constitucional do país de ser um Estado Laico.
Além disso, há outros feriados religiosos em âmbito municipal/estadual. Dentre eles, o Dia de Iemanjá, celebrado pelo Estado do Rio de Janeiro no dia 02 de fevereiro.

