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Justiça

A nova rejeição da delação de Vorcaro, mesmo com Alcolumbre citado

O banqueiro ainda delatou Rueda e mudou de posição sobre Ciro Nogueira, mas não foi o suficiente

A nova rejeição da delação de Vorcaro, mesmo com Alcolumbre citado

A nova proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) na última quarta-feira (10) foi rejeitada na noite da última quinta-feira (11) pelas autoridades.

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O documento que acrescentou novos nomes e episódios ao caso Banco Master, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, integrantes do PT da Bahia e até citação direta ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi rejeitado pela PF. A PGR ainda analisa a proposta.

Os motivos não foram divulgados pela corporação, mas a decisão já foi comunicada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações. Essa é a segunda rejeição da colaboração premiada de Vorcaro, que é investigado por uma fraude bancária, que causou prejuízo de pelo menos R$ 50 bilhões ao Sistema Financeiro Nacional (SFN), e por estar envolvido em milícias.

Nova delação colocou corda no pescoço de Alcolumbre

Na nova proposta, Daniel Vorcaro afirmou ter realizado um pagamento de US$ 30 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 155 milhões, ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

O ex-banqueiro teria dito que a operação ocorreu por meio de uma conta mantida fora do país e que a transação teria sido intermediada por Augusto Lima, ex-sócio do empresário.

No entanto, em nota divulgada pela Assessoria de Imprensa da Presidência do Senado, Alcolumbre rejeitou integralmente as acusações divulgadas. O senador classificou as alegações como falsas e afirmou que jamais recebeu valores no Brasil ou no exterior.

Rueda também foi citado

O material entregue pela defesa do empresário passou a citar supostos pagamentos ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e a integrantes do PT da Bahia. A informação foi adiantada por O Brasilianista em 6 de maio — clique aqui para ler.

A citação também reacende discussões sobre a estrutura de indicações envolvendo fundos previdenciários que mantiveram relações com o Banco Master. O Brasilianista revelou em janeiro deste ano que o presidente do União Brasil teria sido o responsável pela indicação de Deivis Marcon Antunes para a presidência do RioPrevidência, fundo previdenciário dos servidores do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo a reportagem, fontes da política fluminense afirmaram que o então governador Cláudio Castro apenas cumpriu a indicação articulada por Rueda dentro de um acordo político envolvendo lideranças do PL e do União Brasil.

A publicação informa que Rueda nega qualquer prática irregular. O dirigente, contudo, confirmou que seu escritório prestou serviços profissionais a Daniel Vorcaro.

Vorcaro e o PT da Bahia

O banqueiro ainda delatou uma suposta relação que manteve com integrantes do PT da Bahia durante o período de expansão do Banco Master.

Entre os nomes citados, está o do ministro da Casa Civil, Rui Costa, apontado por ele como uma figura relevante no contexto dos negócios que ajudaram a impulsionar o crescimento da instituição financeira no estado. A aproximação com governos petistas baianos teria começado ainda em 2007, durante a gestão de Jaques Wagner.

Um mecanismo de oferta de crédito consignado para servidores públicos estaduais por meio de descontos realizados diretamente na folha de pagamento seria o esquema central dessa aproximação. A operação ganhou força em 2022, já no governo de Rui Costa, quando um decreto estadual restringiu a portabilidade das dívidas para outras instituições financeiras.

Ciro deixou de ser amigo

Na nova versão, Vorcaro deixou de atribuir pagamentos e benefícios concedidos ao parlamentar Ciro Nogueira a uma relação de amizade e passou a descrevê-los como repasses destinados à defesa de interesses do Banco Master junto ao Congresso Nacional.

A primeira tentativa de acordo apresentada sustentava que despesas custeadas para Ciro, incluindo viagens e eventos, eram resultado de uma relação pessoal entre ambos e não envolviam qualquer expectativa de contrapartida política ou institucional.

Após a rejeição desse material, a defesa do banqueiro reformulou o documento e passou a apresentar os repasses sob uma perspectiva distinta, relacionando-os a uma suposta tentativa de obtenção de apoio para pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional.

Como mostrou O Brasilianista, a relação entre Vorcaro e agentes políticos é um dos focos centrais da Operação Compliance Zero. O banqueiro teria realizado pagamentos mensais ao senador Ciro Nogueira desde pelo menos 2021, em valores que teriam começado em R$ 300 mil e alcançado R$ 500 mil em 2023.

Vorcaro acredita que não cometeu crime algum

Vorcaro custa em admitir que cometeu qualquer crime. A Folha mostrou que fontes próximas ao banqueiro indicam que ele acredita fielmente não ter agido de forma antiética ou realizado qualquer crime — e ele afirma isso desde seus amigos, até assessores e advogados.

Ele culpa sua situação atual a um potencial poder de rivais do mundo dos negócios que teriam trabalhado para ver o empresário em “desgraça”.

Para ele, suas contribuições destinadas a políticos, empresas familiares de magistrados, ou até mesmo o financiamento do filme Dark Horse não seriam pagamentos de propina. Essas ações seriam, em sua visão, nada menos do que práticas comuns de empresários que desejam se aproximar do poder.

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