Investigado pela Operação Compliance Zero, Daniel Vorcaro entregou duas delações premiadas para a Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República (PGR) entre maio e junho de 2026. No entanto, as autoridades recusaram as duas propostas.
A última foi rejeitada na quinta-feira (11), um dia após ter sido entregue pelo dono do extinto Banco Master. Mesmo citando nomes como Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado Federal, e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, a solicitação foi rejeitada pela PF. Os motivos ainda não foram divulgados pela instituição, conforme apurou O Brasilianista.
A decisão foi comunicada ao relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A PGR ainda segue analisando a delação.
Primeira delação rejeitada
Entregue em maio de 2026, as autoridades que investigam a Operação Compliance Zero chegaram à conclusão que a delação de Vorcaro possuía informações insuficientes sobre o esquema. Segundo apuração de O Brasilianista, a PF apontou que a proposta omitia dados relevantes para o caso.
Os responsáveis pela investigação julgaram as informações delatadas pelo ex-banqueiro aquém do esperado, considerando o nível de conhecimento da operação pelo investigado. Além disso, a defesa de Vorcaro propôs a devolução de R$ 40 bilhões em 10 anos. No entanto, o Ministério Público Federal considerou a quantia insuficiente, negociando pagamento de R$ 60 bilhões, em menor vencimento.
O que mudou da primeira para a segunda versão?
Investigado pela fraude bancária que causou, ao menos, R$ 50 bilhões em prejuízo ao Sistema Financeiro Nacional (SFN) e envolvimento com milícias, Vorcaro adicionou novos nomes à delação, além de alterar a versão de alguns fatos.
Na primeira versão, o banqueiro atribuía uma relação pessoal com o senador da República Ciro Nogueira (PP-PI), explicando que os pagamentos e viagens bancadas ao parlamentar eram advindas desta amizade. A segunda versão, no entanto, passa a descrever as quantias como repasses destinados à defesa dos interesses do Banco Master no Senado Federal.
A relação pagava mensalmente R$ 300 mil ao parlamentar desde 2021, valor que aumentou para R$ 500 mil em 2023. A Operação Compliance Zero investiga o envolvimento de Vorcaro com agentes políticos como foco principal.
Corda no pescoço de Alcolumbre e Rueda
As novas informações trazidas na segunda delação abordam pagamento de US$ 30 milhões ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre. Segundo Vorcaro, a operação teria ocorrido por conta internacional, e a operação teria sido intermediada pelo ex-sócio do empresário, Augusto Lima.
A Assessoria de Imprensa da Presidência do Senado afirmou, em nota, que Alcolumbrerejeitou todas as acusações integralmente. Segundo o documento, o senador alega que as acusações são falsas e que nunca recebeu pagamentos no Brasil ou no exterior.
O envolvimento de Antônio Rueda com o caso, segundo Vorcaro, é referente à estrutura de indicações envolvendo fundos previdenciários e o Master. Conforme apurou O Brasilianista, o presidente do União Brasil foi responsável pela indicação do Deivis Marcon Antunes à RioPrevidência, fundo previdenciário dos servidores públicos no Estado do Rio de Janeiro.
Em nota, Rueda afirma que não houve nenhuma prática irregular no caso, apesar de confirmar que seu escritório prestou serviços à Vorcaro.
O que acontece se a delação for aceita?
A colaboração premiada, como é chamada oficialmente, é um acordo jurídico entre investigado e investigadores. Sendo assim, ao apresentar informações relevantes na delação para o prosseguimento da averiguação, o investigado pode receber benefícios como redução de pena, flexibilização de medidas cautelares, diminuição de restrições patrimoniais e, em alguns casos, até perdão judicial.
Segundo apurou O Brasilianista, a medida é atrativa, especialmente, para reduzir incertezas sobre a sentença. Desta maneira, ao estabelecer regras para os benefícios da colaboração, os investigados conseguem evitar prisões preventivas ou negociar formas alternativas de cumprimento da pena.

