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Economia

O impacto econômico dos terremotos

Tremores recentes nas Filipinas, Japão e México reacendem debate sobre os custos econômicos de grandes desastres naturais

O impacto econômico dos terremotos

O terremoto de magnitude 7,8 que atingiu as Filipinas nesta semana, deixando ao menos 37 mortos, mais de 500 feridos e cerca de 32 mil desabrigados, voltou a chamar atenção para um aspecto que vai além da tragédia humana: o impacto econômico provocado por grandes tremores.

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Japão e México também registraram abalos sísmicos, reforçando os alertas sobre os riscos enfrentados por países localizados em regiões de intensa atividade geológica.

Como os prejuízos são calculados

Segundo o administrador e especialista em finanças Alecio Alvico Teixeira Júnior, os prejuízos econômicos de um terremoto são calculados a partir de duas frentes principais: os danos diretos e os danos indiretos.

“Os prejuízos vêm de duas frentes: danos diretos, que são os ativos destruídos, e danos indiretos, que representam tudo aquilo que deixou de ser produzido após o desastre.”

De acordo com o especialista, modelos internacionais utilizam imagens de satélite, intensidade sísmica, densidade populacional e valor dos ativos atingidos para estimar as perdas. Por isso, terremotos com magnitudes semelhantes podem gerar impactos completamente diferentes dependendo do local atingido.

“Um terremoto igual pode custar milhões ou trilhões dependendo de onde atinge”, afirma.

Filipinas enfrentam primeiros impactos

O terremoto registrado na ilha de Mindanao já provocou danos em aproximadamente 2,5 mil residências e mais de 100 prédios públicos. O aeroporto internacional de General Santos foi fechado temporariamente, causando o cancelamento de dezenas de voos.

A cidade é considerada um dos principais polos pesqueiros e portuários das Filipinas, o que amplia os impactos econômicos sobre cadeias produtivas locais. Além disso, parte das mortes foi causada pelo desabamento de edifícios e por deslizamentos de terra registrados após os tremores.

Especialistas apontam que os custos iniciais normalmente representam apenas uma parcela do prejuízo total. A reconstrução de infraestrutura e a retomada das atividades econômicas costumam se estender por meses ou até anos após o desastre.

O peso dos efeitos de longo prazo

Para Alecio Alvico Teixeira Júnior, os efeitos econômicos mais relevantes surgem justamente após o encerramento das operações de resgate.

“O terremoto vira um teste de estresse para o Estado: pressão fiscal, inflação por gargalos logísticos, fuga de capital e perda de confiança”, explica.

O especialista destaca ainda o chamado custo de oportunidade. Recursos destinados à reconstrução de estruturas destruídas deixam de ser aplicados em áreas que poderiam impulsionar o crescimento econômico, como educação, inovação e infraestrutura nova.

Por que Japão sofre menos perdas humanas

O histórico japonês demonstra como a preparação pode alterar completamente os resultados de um desastre natural.

O Japão convive há décadas com terremotos de grande magnitude. O país registrou em 1923 o tremor mais mortal de sua história, quando aproximadamente 142 mil pessoas morreram após um terremoto de magnitude 7,9 próximo a Tóquio.

Em 1995, outro terremoto devastou a região de Kobe e deixou mais de seis mil mortos. Já em 2011, um terremoto de magnitude 9 desencadeou um tsunami que provocou quase 20 mil mortes.

Após sucessivas tragédias, o país passou a investir pesadamente em engenharia antissísmica, códigos rígidos de construção e sistemas avançados de alerta precoce. Hoje, muitos edifícios são projetados para suportar tremores intensos sem colapsar.

O papel da prevenção

Para Alecio Alvico Teixeira Júnior, a principal diferença entre países que se recuperam rapidamente e aqueles que enfrentam anos de dificuldades está na preparação realizada antes do desastre.

“Porque a diferença não está no terremoto, está no país”, afirma.

Segundo ele, locais que possuem ampla cobertura de seguros, capacidade fiscal para financiar reconstruções e normas rigorosas de engenharia conseguem retomar suas atividades econômicas muito mais rapidamente.

O especialista cita o exemplo de Taiwan em 2024, quando sistemas de prevenção e infraestrutura resistente permitiram que empresas estratégicas voltassem a operar poucas horas após um forte terremoto.

Tremor no México também reacende alertas

Um terremoto de magnitude 6,1 registrado próximo à costa oeste de Cuba gerou reflexos sentidos tanto no México quanto no sul dos Estados Unidos.

Embora não tenha provocado danos comparáveis aos registrados nas Filipinas, o episódio serviu para reforçar a vulnerabilidade sísmica de diversas regiões do continente americano.

“Terremoto a gente não controla, mas o tamanho do estrago é totalmente moldado pelas escolhas que o país faz antes dele acontecer”, resume Alecio Alvico Teixeira Júnior.

Entre as medidas consideradas essenciais estão construções resistentes, mapeamento de áreas de risco, rotas de evacuação, monitoramento sísmico e alertas capazes de interromper automaticamente operações industriais, sistemas de transporte e redes de gás poucos segundos antes da chegada das ondas sísmicas.

“Países que tratam prevenção como investimento colhem resiliência. Os que tratam como gasto acabam pagando a conta mais cara, em dinheiro e em vidas.”

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