A próxima reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) acontece nesta terça (16) e quarta-feira (17) pela primeira vez com o novo presidente da instituição, Kevin Warsh, que tomou posse em maio deste ano.
A previsão é que o Fed mantenha os juros estáveis, mesmo que isso custe na inflação, que atingiu 4% ao ano, enquanto investidores projetam, também, que o banco central opte pelo aumento das taxas até o final do ano. Com redução de juros ou não neste primeiro momento, Warsh enfrenta um cenário certamente desafiador.
O aumento dos conflitos com o Irã aceleraram a inflação, juntamente com o país sediando a Copa do Mundo, e a pressão do presidente Donald Trump para uma redução dos juros colocam o novo presidente do Fed em um verdadeiro caldeirão borbulhante.
Para Warsh, o maior problema não será enfrentar a decisão de juros, mas a coletiva de imprensa logo em seguida. Marcada logo em seguida do anúncio da decisão, o responsável pela autoridade monetária da maior potência econômica mundial fará seus primeiros comentários substantivos no cargo de chair sobre o que está acontecendo com a inflação, o desemprego e as perspectivas econômicas dos EUA.
De olho na fala de Warsh
Sua fala será determinante para indicar o futuro dos juros americanos, que terão impactos ao redor do mundo.
Isso porque o discurso deve mostrar quando provavelmente a inflação americana cairá, dando perspectiva da evolução da política monetária dos EUA sob liderança de Warsh. Se não ajustadas devidamente, as taxas do país podem entrar em patamar descontrolado por mais tempo que o previsto.
Para o Brasil, isso pode ser interessante, visto que teria maior entrada de investimento estrangeiro e poderia significar valorização do real. No entanto, uma economia dos EUA desestabilizada poderia causar danos e desconfiança em larga escala nos mercados globais.
“Sobre o Fed em si, a decisão de quarta é quase um detalhe. A manutenção da taxa na faixa de 3,50% a 3,75% está praticamente contratada pelo mercado. O que importa é outro ponto. Esta é a primeira reunião sob o comando de Kevin Warsh, com um perfil reconhecidamente mais duro que o de Powell. Com inflação ainda acelerando e mercado de trabalho firme, o risco real não é corte, é o tom. O mercado já embute probabilidade relevante de pelo menos uma alta até o fim do ano”, diz Ricardo Trevisan, CEO da GRAVUS Capital, a O Brasilianista.
Autonomia do Fed
Além do cenário de tensão internacional, internamente Warsh enfrenta o desafio de manter a autonomia do Fed frente a pressão política da Casa Branca. De acordo com apuração de O Brasilianista, historicamente, a relação entre banco central e governo federal oscila entre tensão e cooperação. Assim, com menos de um mês de mandato, o chair do banco central já se encontra pressionado.
Vale destacar, ainda, que o Federal Reserve é responsável por definir a política de juros do país, supervisionar bancos, controlar a inflação e realizar medidas para manter o sistema econômico do país estável. Sendo assim, as decisões do Fed impactam, diretamente, o mercado internacional.

