O Grupo Cosan divulgou a venda de 12% dos ativos da Radar, sua empresa de gestão de terras. A operação renderá R$ 586 milhões, que são relativos à participação da holding. No entanto, a quantia não parece ser suficiente para a companhia retomar sua alavancagem.
Desta maneira, acionistas do grupo, que foi fundado e é gerido pelo empresário Rubens Ometto, buscam novas formas de reduzir o impacto financeiro da companhia. Para tal, a solução pode vir a ser a venda de mais ativos da Radar, ou de outras companhias geridas pela holding.
O grupo possui em seu portfólio cinco empresas: a Raízen, gigante em combustíveis que se encontra em recuperação extrajudicial, a Compass, Radar, Rumo e Moove. As companhias possuem campos de atuação distintos, em distribuição de energia, infraestrutura logística, óleo e gás e agronegócio.
Segundo a avaliação dos acionistas, a venda de mais ativos da Radar, que possuía patrimônio líquido de R$ 18 bilhões em março, pode ser necessária na estratégia de redução da alavancagem. É avaliada, também, a alienação de mais um pedaço da Compass. A ação deve ocorrer após o período de lockup, ou seja, bloqueio da venda de ações da companhia, que finaliza em novembro.
Permanência de Ometto no conselho administrativo corre risco
Com o plano extrajudicial da Raízen protocolado na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, o empresário Rubens Ometto precisa garantir aporte de R$ 500 milhões na companhia, por meio da Água Santa Investimentos. Caso o investimento não ocorra, a cadeira do empresário poderá ser retirada do colegiado, segundo apurou O Brasilianista.
Neste cenário, a Shell tomaria posse de três cadeiras, enquanto o restante seria destinado aos credores. A Raízen possui dívida estimada em R$ 65 bilhões.
Plano de R$ 65 bilhões da Raízen
Em seu plano de reestruturação financeira, a Raízen buscou abarcar a dívida de, aproximadamente, R$ 65 bilhões. Conforme apuração de O Brasilianista, parte do valor será coberto pela Shell, com um investimento de R$ 3,5 bilhões.
A proposta anunciada aos credores prevê três possibilidades, de modo que os vencimentos sejam pagos ao longo dos anos. No plano A, é prevista a conversão de 45% da dívida estruturada a R$ 0,25 por ação. No plano B, a Raízen pretende separar 80% do valor do crédito, enquanto o deságio será aplicado sobre os juros acumulados e, após, ao principal dos respectivos créditos. No plano C, a previsão é de pagamento em caixa, desde que seja equivalente a 75% dos respectivos créditos ou R$ 9.750,00, o que for menor, além do deságio aplicado, primeiro, sobre os juros acruados.
Dívida bilionária da Raízen em contingências tributárias
Os credores da Raízen vão além de empresas privadas. Isso, pois, a companhia possui uma dívida bilionária em tributos devidos. Os valores chegam a R$ 25 bilhões entre PIS, Cofins, ICMS e demais contingências tributárias.
De acordo com apuração de O Brasilianista, os montantes põem em dúvida a capacidade da empresa de manter o pagamento aos seus devedores. Dentre os débitos em Cortes estaduais e federais, a gigante de combustível aparece três vezes na lista de maiores devedores do estado de São Paulo.

