O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, recebeu nesta semana o relatório elaborado pelo Wise Group sobre a parceria estratégica entre Brasil e Japão. O documento reúne recomendações voltadas ao fortalecimento da cooperação econômica entre os dois países e aborda temas como comércio exterior, investimentos, inovação tecnológica, transição energética e sustentabilidade.
Segundo informações divulgadas pela Vice-Presidência da República, o relatório foi elaborado por representantes dos setores público e privado dos dois países e busca identificar oportunidades para aprofundar as relações econômicas bilaterais em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento de Brasil e Japão.
O Wise Group é um fórum formado por representantes dos setores público e privado do Brasil e do Japão, criado com o objetivo de formular propostas para o fortalecimento das relações econômicas entre os dois países. O grupo realiza reuniões periódicas e elabora recomendações voltadas à ampliação do comércio bilateral, ao aumento dos investimentos e ao aprofundamento da cooperação em áreas consideradas estratégicas para as duas economias.
A entrega do documento ocorre em um momento em que os dois países buscam ampliar sua presença em mercados considerados estratégicos e fortalecer cadeias de produção e investimentos diante das transformações observadas na economia internacional.
Especialista aponta potencial para ampliar investimentos
Para o professor Marcos Cordeiro Pires, da Unesp de Marília e do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP), a aproximação entre Brasil e Japão ganha relevância em um cenário marcado por incertezas comerciais e pela adoção de medidas protecionistas por parte de grandes potências.
Segundo ele, tanto o Brasil quanto o Japão possuem interesse em aprofundar a cooperação econômica e comercial como forma de reduzir riscos e ampliar oportunidades em um ambiente internacional cada vez mais competitivo.
Na avaliação do especialista, um eventual acordo entre Japão e Mercosul teria potencial para ampliar investimentos e gerar novas oportunidades de negócios. Setores ligados às vantagens naturais brasileiras, como alimentos, mineração e energia, aparecem entre os principais beneficiados. O professor destaca ainda que o mercado japonês pode representar novas oportunidades para produtos brasileiros como soja, milho e carnes.
Além disso, Pires afirma que a parceria poderia estimular uma integração maior das cadeias produtivas entre os dois países. O Japão é reconhecido pelo desenvolvimento de tecnologias avançadas em diversos setores e poderia ampliar parcerias com o Brasil em áreas como biocombustíveis, hidrogênio verde, eletrificação da frota e energias renováveis.
Outro aspecto destacado pelo professor é a dimensão geopolítica da aproximação. Segundo ele, o Japão busca ampliar sua presença econômica na América Latina em um momento de fortalecimento da influência chinesa na região. A estratégia permitiria a Tóquio consolidar relações históricas com países latino-americanos e ampliar sua participação em setores considerados estratégicos.
Para o especialista, a aproximação com o Japão faz parte de um movimento mais amplo de inserção internacional da economia brasileira. Ele observa que negociações envolvendo Japão, União Europeia e outros parceiros demonstram uma tentativa de ampliar a integração do país à economia global. Na avaliação de Pires, o avanço dessas iniciativas ganha importância diante da crescente centralidade da Ásia na economia mundial e das oportunidades que surgem com a expansão dos mercados da região.

