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Justiça

Operação mira em bets ilegais e acerta lavagem de dinheiro

A Operação Conto da Sorte investiga desvios de empresas de apostas esportivas com irregularidades

Operação mira em bets ilegais e acerta lavagem de dinheiro

Uma ação da Receita Federal e do Ministério Público do Rio Grande do Norte e de Pernambuco cumpre, nesta quinta-feira (18), mandatos de busca e apreensão contra fraudes de empresas de apostas esportivas. A iniciativa visa restituir cerca de R$ 145 milhões em bens desviados.

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As investigações da Operação Conto de Sorte foram iniciadas com o credenciamento irregular de empresas na prefeitura de Bodó (RN) para a autarquia Lotseridó, criada pelo município como uma loteria. A autarquia foi encerrada em 2025 por decisão do STF. Segundo informações divulgadas, o grupo de empresas foi impedido de atuar como plataforma de apostas em 2025, com a regulamentação das bets realizada pelo Governo Federal, porém manteve suas bancas em funcionamento.

Estima-se que as empresas movimentaram cerca de R$ 50 bilhões no esquema, que contava com a participação de 37 plataformas de bets operando irregularmente. Para tal, os investigados realizaram a abertura de empresas de fachada em nomes de laranjas. Além da sonegação de impostos, o Ministério Público também investiga lavagem de dinheiro por meio de compra de imóveis.

Em reportagem da Agência Brasil, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) manifestou preocupação com a utilização das bets para fins de lavagem de dinheiro do crime organizado. Segundo o diretor, é necessária a atuação do poder público para evitar o uso das plataformas como ferramenta de operações financeiras para atividades ilícitas.

Mercado ilegal precisa de regulamentação

Conforme apuração de O Brasilianista, cerca de 51% das apostas realizadas no país estão no mercado ilegal. Os dados são do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). Este setor movimenta cerca de R$ 40 bilhões, que não constam na Receita Federal e na regulamentação, gerando prejuízo de aproximadamente R$ 10,8 bilhões aos cofres públicos.

Além disso, o endividamento é um dos maiores riscos das bets. Segundo estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) e pela FIA Business School, as apostas online são a maior causa de endividamento no país.

As plataformas preocupam o poder público

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) endureceu o tom em entrevista, afirmando que, por ele, as bets no país seriam fechadas. De acordo com O Brasilianista, o crescimento do mercado, assim como o endividamento financeiro de famílias brasileiras e a preocupação com a arrecadação, tem gerado debates e articulado medidas para a revisão das regras do mercado.

No campo judiciário, a Receita Federal busca novas medidas de tributação do setor e para aumentar a fiscalização, como a responsabilização de instituições financeiras que facilitarem operações ilegais. Já no legislativo, o presidente da bancada do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC), anunciou a apresentação de uma proposta para as bets. Segundo o parlamentar, a taxação atual sobre o setor é insuficiente.

Crescimento do mercado das bets amplia o risco

Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o crescimento do setor de apostas gerou efeitos que deixaram de ser pontuais e se converteram a uma dimensão macroeconômica. Conforme apurou O Brasilianista, índices governamentais mostram que o nível do endividamento por apostas segue próximo de recordes históricos.

Deste modo, as bets passaram de jogos esporádicos no cenário brasileiro para competirem com contas essenciais, como alimentação, moradia e transporte. Os registros demonstram casos de consumidores que deixaram contas a pagar ou recorreram ao uso do crédito para seguir apostando.

Para famílias com menor renda, o problema é mais sensível. Isso, pois não há margem para absorver o impacto financeiro das perdas.

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