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Economia

Clubes de futebol no Brasil movimentam R$ 15 bilhões no ano

Especialista explica como esse esporte contribui nas atividades econômicas do país

Clubes de futebol no Brasil movimentam R$ 15 bilhões no ano

Além dos promissores jogadores brasileiros que saem do futebol nacional por valores astronômicos, o próprio esporte como um todo movimenta a economia brasileira há anos. Levantamento feio pela Sports Value mostra que os 20 clubes com maiores receitas do Brasil bateram um novo recorde em geração de receitas na história no ano de 2025. O montante foi de R$ 15 bilhões, ultrapassando os R$ 11 bilhões em 2024, registrando uma alta de 36%.

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Entre as maiores ligas de futebol do mundo, o Brasil fica na sétima posição no quesito receitas operacionais, sem contar as transferências de jogadores. Esses valores mostram como o futebol movimenta a economia brasileira atualmente e a sua importância para o crescimento econômico do país.

A importância do futebol para a economia brasileira

Amir Somoggi, diretor da Sports Value, concedeu entrevista exclusiva para O Brasilianista e falou sobre a importância do esporte na movimentação econômica do país. O especialista explicou a questão das receitas e do aumento do PIB, além de comparar com cenários de times europeus e suas situações econômicas.

“O futebol é muito importante para a economia, embora seja muito recente ao olhar para ele. Então, por exemplo, além da questão das receitas e aumento do PIB, tem a renda, porque uma parte importante das receitas vai para salário de jogadores, vai para pagar comissão técnica, staff. Então, cada time pode ter 500, 600, até mil funcionários. Então, você tem um impacto grande, mas há poucos dados sobre isso. Do ponto de vista do PIB, ele é super importante, porque se a gente parar para pensar na Espanha, por exemplo, Real Madrid e Barcelona, a importância deles para o cenário internacional versus PIB da Espanha, eles estão muito acima. Eles faturam mais do que países mais ricos, por exemplo, como Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra”, disse.

Aliado a isso, Amir ainda citou outros estudos que comprovam o tamanho do faturamento conquistado diante do futebol, mas que são destinado a outros setores dentro do clube. Para o especialista “o desenvolvimento do futebol passa também pelo fortalecimento dessas entidades, desses clubes, das ligas, que o impacto econômico vai ser brutal”.

“Há estudos que provam que o impacto econômico pode ser de até três vezes o valor do faturamento em termos de indução e outros setores da economia, por exemplo, com jogos, com o patrocínio, com venda de produtos. Então, é um volume enorme que poderia ser gerado no Brasil, mas ainda é muito restrito às receitas dos clubes”, explica.

Comparação com outros setores

Quando perguntado se as grandes partidas e competições ainda conseguem produzir impactos econômicos comparados aos de outros setores de entretenimento, Amir confirmou o apontamento, dando ainda mais detalhes sobre o faturamento dos clubes brasileiros.

“Se a gente parar para pensar quanto hoje os clubes faturam com o matchday, que é a ida do público ao estádio, sim, equipara-se ao mercado do entretenimento. A diferença é que você vai ter um, dois shows de um cantor, enquanto que o jogo é toda quarta e domingo. Então o impacto é brutal, a recorrência é enorme”, justificou.

Comparando novamente aos clubes europeus, o especialista ainda cita as vendas de ingressos e a forma como os clubes brasileiros não realizam outra forma de crescimento do volume monetário.

“Mas quando a gente compara o matchday dos times brasileiros ao Flamengo, acima de 300 milhões por ano, e você pega, por exemplo, um Real Madrid, que pode faturar quase 400 milhões de euros por ano, nós estamos ainda muito aquém, porque vivemos muito reféns ainda da venda do ingresso, e não de uma nova dimensão do entretenimento com lojas, museus, camarotes, e fazendo com que esse volume dobre de tamanho, pelo menos, desse volume que cada clube faz”, completa.

Dívidas e dificuldades na gestão

Mesmo com um cenário onde os clubes tenham faturamentos altos, também há a questão dos endividamentos e as dificuldades em suas gestões. Quando perguntado o motivo disso, Amir falou sobre os gastos das equipes e a forma como o dinheiro é separado internamente.

“O futebol vive de gastar com salários e contratações, então todo o dinheiro que entra já está diretamente envolvido com isso. Imagina que num setor onde você tem 22, por exemplo, jogadores que mordem 70% da receita, ou até mais, em alguns clubes gastam até 100% da receita e fecham com altos prejuízos, então a pressão da inflação da folha salarial e o gasto em contratações limita o desenvolvimento do negócio, porque os clubes não são lucrativos”, explica.

O especialista ainda explica a origem desses lucros e a diferença de estratégia adotada aqui e em grandes clubes europeus, onde o fortalecimento da renda é diferente.

“Muitas vezes a lucratividade vem da venda de jogador, então eles se transformam em produtores de talento para mercados mais ricos, como é o caso da Europa. É um grande desafio que nós temos, porque a Inglaterra, a Espanha e outros mercados importam jogadores, também vendem, mas importam, então eles têm um saldo negativo, eles gastam mais com contratações do que com venda, então isso fortalece o mercado interno em termos de talento, de marketing, de impacto no PIB como um todo”, afirma o diretor da Sports Value.

As SAFs e a internacionalização

Questionado sobre a expansão das SAFs e sobre quais são as oportunidades que podem ampliar a contribuição do futebol brasileiro para o PIB na consolidação do esporte como um dos motores da economia, o especialista falou sobre os desafios enfrentados e uma possível solução.

“Hoje, infelizmente, as SAFs são um grande desafio. Fecham com prejuízo, não têm sustentabilidade financeira, vivem de aporte dos donos. A internacionalização é o único caminho para colocar o futebol brasileiro no cenário internacional. Por quê? Nós vivemos praticamente 100% das nossas receitas domésticas, enquanto que ligas desenvolvidas como as europeias dependem cada vez mais do mercado internacional. Ásia, Oriente Médio, Estados Unidos e até mesmo a América Latina”, destaca.

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