O empresário Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como “Guiga”, é apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos principais interlocutores entre o senador Jaques Wagner e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master. As informações constam de relatórios da Operação Compliance Zero e foram publicadas pelo Estadão.
Segundo a PF, os primeiros contatos entre Wagner e Vorcaro teriam sido intermediados por Sodré. Os investigadores afirmam que ele se apresentou ao banqueiro em junho de 2024, colocando-se à disposição e mantendo interlocução frequente com o empresário.
No relatório policial, Sodré é descrito como uma pessoa historicamente ligada ao senador. A PF destaca que ele é pai de Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner, e afirma que o próprio parlamentar o reconheceria como um de seus amigos mais próximos.
As mensagens analisadas pelos investigadores mostram que, em agosto de 2024, Sodré procurou Vorcaro afirmando que precisava tratar de um tema importante e pediu sigilo sobre o assunto. Após uma conversa por chamada de voz, sem registro do conteúdo, ele informou ao banqueiro que um encontro com Jaques Wagner ocorreria em Brasília e que o chefe de gabinete do senador entraria em contato para acertar os detalhes da reunião.
Dias depois, de acordo com a PF, Sodré também encaminhou a Vorcaro o número pessoal de celular do senador acompanhado da mensagem “boa sorte”. Para os investigadores, os diálogos indicam uma atuação direta na aproximação entre ambos.
As conversas analisadas pela Polícia Federal surgem em meio às investigações sobre a suposta atuação de Vorcaro junto a parlamentares em temas de interesse do Banco Master. Um dos pontos citados pelos investigadores envolve discussões sobre proposta que buscava ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medida considerada favorável à instituição financeira.
Além da intermediação de reuniões, a PF também aponta que mensagens encontradas no aparelho do banqueiro indicariam participação de Vorcaro na logística de viagens realizadas por Jaques Wagner em aeronave privada vinculada ao grupo econômico do Banco Master. Os investigadores afirmam que houve orientações para que a operação ocorresse com discrição.
Em nota divulgada após a operação, Jaques Wagner negou qualquer relação com Daniel Vorcaro e afirmou que não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros das quais não participou. O senador também declarou que não houve intermediação e que não mantém vínculo com o banqueiro.
O que diz a defesa de Jaques Wagner
Como mostrou anteriormente O Brasilianista, o senador Jaques Wagner negou qualquer relação com o Banco Master e com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em nota divulgada após a operação da Polícia Federal, o parlamentar afirmou que não é réu, não foi denunciado e não responde a processos relacionados aos fatos investigados. A defesa também sustentou que o apartamento citado pelos investigadores nunca integrou o patrimônio do senador e negou qualquer atuação em favor do Banco Master ou de outras instituições financeiras. Wagner declarou ainda permanecer à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e afirmou confiar que os fatos serão esclarecidos ao longo das investigações.

