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Geopolítica

Finlândia e Canadá estreitam relações comerciais, enquanto os EUA jogam tarifas

Com as decisões de Washington, a aproximação comercial dos países se tornou uma estratégia de sobrevivência, diz especialista

Finlândia e Canadá estreitam relações comerciais, enquanto os EUA jogam tarifas

A relação comercial entre Finlândia e Canadá vem se estreitando nos últimos anos. Como os dois países do Ártico estão na mira das tarifas do governo dos Estados Unidos, a aproximação é estratégica para sobrevivência econômica.

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Segundo Rafael Guazelli, advogado especialista em Direito Tributário, as taxas de 10% impostas pelo governo dos Estados Unidos, que ainda não estão em vigor, impactam fortemente os mercados canadenses e finlandeses.

“O mercado canadense é o mais prejudicado, pois envia a maior parte de suas exportações aos Estados Unidos e vê as regras do acordo norte-americano serem desconsideradas, o que sufoca a competitividade de suas indústrias integradas. Do lado finlandês, a taxação prejudica o envio de equipamentos industriais e eletrônicos de alto valor aos americanos, motivando uma resposta tarifária conjunta da União Europeia”, comenta.

Sendo assim, a cooperação estratégica entre Finlândia e Canadá se torna uma estratégia de sobrevivência econômica. De acordo com o especialista, no entanto, nem mesmo a união dos países conseguirá substituir o mercado estadunidense.

Parceria comercial entre Canadá e Finlândia

Segundo o governo canadense, o país possui relações comerciais com a Finlândia, que são baseadas, principalmente, em ciência, tecnologia e inovação. Além disso, o Canadá destaca que a Finlândia, ao desenvolver uma economia circular com emissão de carbono neutralizada, se alinha às prioridades canadenses.

Segundo o especialista, os países possuem estratégia de cooperação de mineração sustentável, infraestrutura polar e tecnologia de ponta. Estes tratados comerciais são respaldados pelo Acordo Econômico e Comercial Global (CETA).

“Esse estreitamento favorece os dois lados ao consolidar a segurança no fornecimento de minerais críticos essenciais para a transição energética e tecnológica, o que cria cadeias de suprimentos mais seguras e diminui a dependência de fornecedores globais instáveis”, explica. “Na área de inovação, a parceria viabiliza uma troca valiosa onde o Canadá absorve a expertise finlandesa em telecomunicações avançadas e sustentabilidade industrial, enquanto as empresas canadenses expandem seu alcance sob os rígidos padrões de eficiência do mercado europeu”.

O especialista comenta, também, que a proximidade geográfica das nações transforma a cooperação do Ártico em uma vantagem competitiva. Desta maneira, aliando os países para o desenvolvimento de infraestrutura para o frio extremo e, ainda, construção naval especializada.

“Ao integrar essas frentes, Ottawa e Helsinque não apenas impulsionam seus setores de alta tecnologia e defesa, mas também constroem uma rota de comércio resiliente que serve como um escudo contra o protecionismo de outras superpotências comerciais.”

A Groenlândia no conflito

Para o especialista, a questão da Groenlândia adiciona, ainda, uma camada mais profunda ao conflito entre os países e os Estados Unidos, funcionando, também, como um catalisador de alianças. Com as pressões de Washington em relação ao controle ou anexação da ilha, o Canadá e a Finlândia encontram-se forçados a reforçar sua cooperação militar e estratégica.

“Para a Finlândia e o bloco europeu, a postura unilateral dos EUA representou uma violação das normas internacionais e da soberania da Dinamarca, motivando Helsinque a apoiar missões de dissuasão conjunta da OTAN e a fortalecer o desenvolvimento independente de capacidades árticas, como a construção naval de quebra-gelos”, explicita. “O Canadá, por sua vez, enfrentou o dilema de equilibrar sua dependência vital da segurança americana via NORAD com a defesa do direito internacional ao lado dos parceiros nórdicos, optando por canalizar as tensões para investimentos práticos na modernização da infraestrutura de vigilância no Norte.”

Canadá e Mercosul

Segundo apurou O Brasilianista, o acordo entre Canadá e Mercosul está na fase final de negociações. Porém, ainda há alguns impasses que devem ser sanados antes da assinatura.

Entre os pontos pendentes do tratado, está a discussão sobre o acesso ao mercado de carnes. O tema se mantém no centro das negociações comerciais entre o bloco e o país.

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