A disponibilização de um cartão de crédito por Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) é um dos episódios citados nos documentos analisados pela Polícia Federal (PF) no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.
Como mostrou reportagem do Piauí, uma troca de mensagens obtida pelos investigadores sugere que despesas atribuídas ao parlamentar e à sua companheira, Flávia Rosalen, eram pagas por meio de uma estrutura controlada pelo banqueiro.
Conversa menciona despesas de “Ciro/Flavia”
De acordo com a apuração, uma das mensagens analisadas pelos investigadores foi enviada por Leo Serrano Giunchetti, apontado como operador de logística de Vorcaro nos Estados Unidos.
No diálogo, datado de 23 de janeiro de 2025, Serrano pergunta ao banqueiro se os responsáveis pelos pagamentos deveriam continuar arcando com as despesas de “Ciro/Flavia” até o sábado daquela semana.
A resposta atribuída a Vorcaro foi afirmativa. Na mesma conversa, o banqueiro orienta que seu cartão fosse encaminhado posteriormente para outro destino internacional.
Para a Polícia Federal, o conteúdo da troca de mensagens passou a ser um dos elementos utilizados para reconstruir a dinâmica da relação entre os envolvidos.
Investigação associa cartão a gastos pessoais
O casal frequentou restaurantes de alto padrão durante a viagem. Em um dos estabelecimentos citados pelos investigadores, o La Soucoupe, a despesa chegou a R$ 63 mil. Em outro restaurante da região, o Le Tremplin, especializado em frutos do mar, a conta ultrapassou R$ 58 mil.

As mensagens analisadas pela PF mencionam justamente a continuidade do pagamento das despesas de “Ciro/Flavia” durante o período em que ambos permaneciam na estação de esqui francesa.
Ao autorizar novas diligências no caso, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), registrou a existência de indícios de uma relação que, segundo a decisão, poderia extrapolar vínculos de mera amizade.
Até o momento, não houve conclusão definitiva sobre os fatos descritos nos relatórios nem julgamento das suspeitas investigadas.
O caso continua sob análise da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal, que acompanham os desdobramentos da investigação relacionada ao Banco Master.
Repasses investigados superaram R$ 6 milhões
O Brasilianista já mostrou que a investigações da Polícia Federal também apontam para a existência de repasses financeiros recorrentes ligados a empresas associadas ao senador Ciro Nogueira.
Segundo os documentos analisados pelos investigadores, as transferências teriam sido acompanhadas diretamente por Daniel Vorcaro e por integrantes de seu círculo empresarial.
Um dos elementos citados pela PF é uma troca de mensagens entre o banqueiro e seu primo, Felipe Cançado Vorcaro. Em um dos diálogos, Felipe questiona se deveria continuar efetuando pagamentos mensais de R$ 300 mil relacionados à chamada “parceria BRGD/CNLF”. A resposta atribuída a Daniel Vorcaro foi afirmativa: “Sim”.
De acordo com o relatório policial, os elementos reunidos indicam que os pagamentos tiveram continuidade ao longo do período investigado.
A Polícia Federal afirma que os valores posteriormente teriam alcançado R$ 500 mil mensais, ampliando o volume de recursos movimentados por meio das empresas analisadas.
Com base nos registros obtidos durante a investigação, os policiais estimam que os repasses identificados tenham ultrapassado R$ 6 milhões.
A origem, a finalidade e a eventual contrapartida desses pagamentos seguem sob apuração das autoridades no âmbito do caso envolvendo o Banco Master.
O espaço permanece aberto para manifestação dos citados.

