A atriz, Luana Piovani, que soma mais de 5,6 milhões de seguidores no Instagram, recebeu R$ 300 mil do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) para publicar um vídeo nas redes sociais criticando a PEC 65/2023, apelidada de PEC do Banco Central, que prevê autonomia do BC.
As informações sobre o pagamento a Piovani estão registradas em uma ata de reunião extraordinária de trabalho do Conselho Regional do Sindicato Nacional dos Servidores Federais Autárquicos. O encontro foi feito em 9 de junho deste ano.
O que há no documento?
O documento detalha que “foi sugerida a contratação a atriz e influenciadora Luana Piovani para participar de campanha de comunicação voltada à crítica da PEC“. Segundo a ata da reunião, Piovani foi escolhida “considerando sua atuação pública em manifestações relacionadas a temas de interesse social e a propostas consideradas prejudiciais à população”.
Ainda, o texto aponta que foi alinhado um cachê de R$ 300 mil (que foi pago com o dinheiro das contribuições dos filiados ao sindicato), que teve aprovação dos participantes presentes: Edna Velho, Presidente; Luiz Henrique Mariz, Diretor Financeiro; Filipe Alberti, Diretor Secretário; Sandra Regina Caçador Fernandes, Conselheira e Carlos Eduardo Garcia, Diretor Jurídico. Maria Regina Ribeiro, Diretora de Relacionamento com o Filiado, se absteve.
“A Presidente ressaltou que para a campanha salarial de 2027 pretende propor ao CR DF investir em publicidade na TV, rádio etc. Pois seria de extrema importância a divulgação da relevância do trabalho dos servidores do BC para a sociedade enfatizando as pautas aprovadas pela categoria”, detalha o documento.

Vale destacar que o SINAL é um dos principais grupos contrários à autonomia do BC e, inclusive, também pagaram um anúncio durante o Jornal Nacional, horário nobre da televisão, que reforçava o posicionamento contrário à PEC.
O governo, principalmente Dario Durigan, Ministro da Fazenda, são contrários à proposta porque querem manter o controle sobre o banco e o orçamento.
O vídeo de Luana Piovani
O post da atriz foi publicado em 9 de junho, mesma data da ata, em colaboração com os perfis @sinalnacional e @sinaldf. Até o momento, ele soma mais de quase 30 mil curtidas, quase 4 mil comentários e mais de 3.500 repostagens no Instagram.
Na gravação, Luana defende manter o BC como autarquia do direito Público, cita falas de especialistas e convida os seguidores a engajarem no assunto. Na legenda, ela acrescenta: “A Pec do Banco Central não é sobre autonomia, ela pretende mudar a natureza jurídica da instituição. Essa PEC 65 é um tapa na cara do povo!”
Nada se cria, tudo se copia
A estratégia de convidar influenciadores famosos para criticar o Banco Central não é nova. Vorcaro fez o mesmo após o BC decretar liquidação extrajudicial do Master.
A Polícia Federal (PF) apontou que criadores de conteúdo de diferentes frentes foram sondados por agência com valores milionários para quem aceitasse defender o Banco Master nas redes sociais. A ideia era trazer um discurso de que a população seria prejudicada com o fim do Master.
A informação foi confirmada pelo dono da agência MiThi, Thiago Miranda, em depoimento à PF, em que assumiu ser o responsável pela contratação dos criadores de conteúdo e que a estratégia teve início no fim de 2025. Segundo ele, o pagamento poderia alcançar R$ 8 milhões.
Quem é Edna Velho?
A Presidente do Sinal, Edna Rosangela Dias Velho, foi atriz e ficou nacionalmente famosa nos anos 90 por suas participações no programa “A Praça é Nossa”, humorístico do SBT.
Ela era considerada uma das musas dos anos 80 e 90 por interpretar a Dona Fifa em um quadro em que contracenava com a personagem Philadelpho, um senhor de idade que se encantava até demais com os galanteios da jovem atriz.
O Brasilianista entrou em contato com o SINAL e Luana Piovani, mas até o momento da publicação da nota, não obteve retorno. O espaço segue aberto.

