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Política

Saiba como foi a saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado

Após reunião com Lula, o parlamentar afirma que vai concentrar esforços em provar sua inocência

Saiba como foi a saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado

Teresa Leitão foi escolhida nesta quinta-feira (25) como nova líder do governo Lula no Senado. Leitão, que é do PT de Pernambuco, substitui o petista baiano Jaques Wagner, que deixa o cargo para provar que sua relação com Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master de Daniel Vorcaro, não tinha nada de ilegal.

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Na última quarta-feira (24), Wagner retornou a Brasília para conversar com o presidente Lula sobre sua continuidade como líder do governo. Após a conversa, o senador afirmou que o afastamento da liderança do governo foi decidido como melhor caminho para ambos.

“Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, publicou no X.

Nos bastidores, o que vinha sendo indicado é que o senador recebia pressão de aliados, que defendiam sua saída da função após Wagner ter sido alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF), na Operação Compliance Zero. O principal argumento usado por petistas e aliados do governo foi evitar prejuízos à pré-campanha presidencial de Lula.

Compliance Zero

Na última quinta-feira (18), a PF foi autorizada pelo STF a fazer busca e apreensão em endereços de Jaques Wagner. A autorização foi concedida por André Mendonça após a Polícia Federal detalhar a proximidade entre o senador e Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Banco Master.

O Brasilianista já mostrou que a relação entre ambos é antiga, e que Wagner teria ajudado o empresário a obter vantagens, como viagens e pagamentos de mais de R$ 3,5 milhões, além de um apartamento localizado em uma área nobre de Salvador (BA), avaliado em R$ 2,4 milhões.

A investigação também identificou pagamentos feitos por empresas ligadas a Lima, ou a mando do ex-CEO do Master, para companhias relacionadas ao senador e a sua família, como a BN Financeira LTDA e a PKL One Participações S.A., administrada por Andréa Lima Novaes, prima de Augusto Lima.

Em troca dos favorecimentos, disse a PF, Wagner se colocava à disposição para atender interesses legislativos do Banco Master, que drenou bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

O “Guiga”

Outro ponto da investigação é a participação do empresário Guilherme Henrique Sodré Martins como um dos principais intermediários entre Wagner e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O Brasilianista explicou que Guiga ocupava a posição de uma pessoa muito próxima ao senador. A PF também aponta que Sodré é pai de Eduardo Mendonça Martins, enteado de Jaques Wagner.

Em 2024, Sodré alinhava com Vorcaro um encontro em Brasília, e o chefe de gabinete entraria em contato para organizar a reunião entre os dois.

Jaques Wagner se defende no STF

Após a nova fase da Operação Compliance Zero, sua equipe jurídica busca rebater as acusações, apresentando uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) para interromper as investigações da Polícia Federal (PF).

O Brasilianista contatou o senador para obter a íntegra da petição apresentada ao Supremo e esclarecer dúvidas sobre as operações financeiras declaradas. A assessoria informou que o documento não foi disponibilizado.

Na nota encaminhada, a defesa afirma que a decisão de busca e apreensão está equivocada, uma vez que o senador não atuou no Congresso para favorecer o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A defesa cita como prova o fato de que a única emenda de autoria de Wagner apresentada à Medida Provisória nº 1106/2022 amplia a margem de crédito consignado para beneficiários do Regime Geral de Previdência Social.

A emenda estabelece que o crédito consignado contratado entre outubro de 2020 e julho de 2021 não pode ter juros superiores a 300% da taxa média do CDI, prevendo que quem cobrar acima desse limite comete crime.

Teresa Leitão assume

Teresa
Teresa Leitão foi anunciada como a nova líder do governo e assume as funções de Jaques Wagner na articulação das pautas de interesse do presidente Lula (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Até esta quinta-feira, os senadores Camilo Santana e Teresa Leitão eram os principais nomes cotados para assumir a função.

A senadora Teresa Leitão (PT-PE) assume o desafio em meio à crise política envolvendo o Banco Master. Sua missão será articular a aprovação de projetos considerados estratégicos para o governo, como o debate sobre a escala 6×1.

Leitão terá de lidar ainda com um Davi Alcolumbre arredio a conversas com o governo e com integrantes do PT. A chegada da senadora também é um meio do governo poder dizer que colocou mulheres e espaços estratégicos do Poder em Brasília.

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