As medidas aprovadas pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), da Camex, para estimular exportações, reduzir custos de importação e incentivar investimentos produtivos podem fortalecer a competitividade da indústria brasileira, mas seus efeitos devem ser sentidos de forma desigual entre os diferentes segmentos da economia. A avaliação é do economista Marcelo Gonçalves do Valle, professor do UniProcessus, ouvido pelo O Brasilianista para analisar o pacote anunciado pelo Governo Federal.
Segundo o especialista, uma das decisões mais relevantes foi a ampliação do prazo de financiamento para exportações antes do embarque das mercadorias. O Gecex aumentou esse prazo de 180 para até 360 dias, com possibilidade de extensão em situações específicas, permitindo que empresas tenham mais tempo para produzir e organizar operações de maior complexidade.
Na avaliação de Marcelo Gonçalves do Valle, essa mudança favorece principalmente empresas que trabalham com produtos de maior valor agregado e ciclos produtivos mais longos. “Isso possibilita planejamento em maior tempo, estendendo o período de financiamento para bens de maior complexidade técnica e maior valor agregado”, explicou.
Redução de custos para a indústria
Outro ponto destacado pelo economista é a continuidade da política de redução do Imposto de Importação para equipamentos, máquinas e insumos sem produção nacional equivalente. O Gecex aprovou centenas de novos ex-tarifários e também zerou a tributação de produtos considerados estratégicos para diversos setores da economia.
Para Marcelo, a medida reduz os custos de produção das empresas brasileiras e pode aumentar a competitividade da indústria nacional tanto no mercado interno quanto nas exportações. Além dos equipamentos industriais, o governo também reduziu a zero a alíquota de importação de medicamentos, fórmulas infantis, insumos para a indústria química e materiais utilizados na produção de equipamentos voltados às energias renováveis.
Segundo o economista, essas decisões beneficiam cadeias produtivas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico do país.
Veículos eletrificados e incentivo à produção nacional
O pacote também manteve o cronograma de aumento das tarifas para veículos elétricos e híbridos importados. Ao mesmo tempo, preservou condições diferenciadas para veículos montados no Brasil durante o período de transição previsto pelo governo.
Na avaliação de Marcelo Gonçalves do Valle, essa estratégia procura estimular investimentos na produção nacional sem interromper o processo de modernização da indústria automotiva. Segundo ele, a combinação entre proteção temporária e incentivo à produção local pode fortalecer a cadeia automotiva instalada no país.
Impactos podem chegar ao consumidor
O especialista afirma que o conjunto das medidas tende a reduzir custos em diversos segmentos da economia.”Essas decisões tendem a reduzir custos de produção em diversas cadeias produtivas, como a automotiva, a química, a farmacêutica e a de energias renováveis, contribuindo não apenas para o crescimento econômico como para uma matriz energética mais sustentável.”
Ele acrescenta que essa redução de custos poderá ser percebida tanto pelas empresas quanto pelos consumidores.”Essa redução pode refletir positivamente na diminuição dos preços ao consumidor ou no aumento da competitividade das empresas brasileiras que atuam no mercado externo.”
Benefícios devem se concentrar nas grandes empresas
Apesar da avaliação positiva, Marcelo pondera que os impactos das medidas não deverão atingir todos os setores de maneira uniforme. Segundo ele, os segmentos mais dinâmicos da economia, especialmente aqueles voltados ao comércio exterior e à indústria de transformação, tendem a aproveitar melhor as novas medidas aprovadas pelo Gecex.
Por outro lado, setores tradicionais e empresas de menor porte devem sentir efeitos mais modestos. “Setores mais dinâmicos da economia tendem a ser mais favorecidos, enquanto setores mais tradicionais e com crescimento mais lento não foram tão beneficiados pelas medidas”, diz Marcelo.
“Elas também tendem a apresentar efeitos maiores em empresas de grande porte, com pouco reflexo sobre as micro e pequenas empresas, responsáveis pela maior quantidade de postos de trabalho no país.” O economista também destaca que grandes empresas possuem maior capacidade financeira e operacional para utilizar linhas de financiamento, importar equipamentos e ampliar investimentos.

