A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a suspensão de 60 dias das execuções dos credores da Braskem. A petroquímica havia feito essa solicitação e teve o pedido atendido oficialmente nesta sexta-feira (26).
A suspensão inclui tanto a cobrança quanto as constrições, ou seja, bloqueios de bens. Além disso, a empresa informou, na última quinta-feira (25), que iniciou o processo de mediação na Câmara Wind. Deste modo, apenas os credores chamados para o processo foram alcançados com a execução.
As outras obrigações da petroquímica, como fornecedores, clientes e investidores, seguem sendo cumpridas. O pedido da companhia para a pausa foi embasado com discurso de proteção contra cobranças antecipadas.
Na quinta-feira (25), ao anunciar a mediação, as ações da Braskem na bolsa de valores recuaram 10,5%, fechando a R$ 6,82. Nesta sexta-feira (26), os papéis registravam queda de 7,7%, a R$ 6,29.
No primeiro trimestre de 2026, a companhia encerrou o período com R$ 44 bilhões em dívidas. Mirando a reestruturação, a IG4 Capital ingressou como sócia da empresa em abril deste ano.
Entenda a crise da Braskem
A Braskem se consolidou como a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas e uma das maiores petroquímicas globais. No entanto, a companhia se encontra à beira de uma reestruturação financeira.
Conforme apurou O Brasilianista, a nova administração da IG4 Capital assumiu o controle da empresa em um momento decisivo. Isso, pois a dívida da companhia em 2025 era de aproximadamente US$ 7,5 bilhões líquidos, e com endividamento bruto de US$ 9,4 bilhões.
Assim, a nova controladora busca alternativas para a reestruturação. A estratégia da companhia é angariar o apoio de seus credores para, então, protocolar um pedido de recuperação extrajudicial. Sendo assim, não será necessário o desembolso imediato dos títulos de dívida.
Expectativa de recuperação extrajudicial
Com a solicitação de mediação e a nova controladoria, a expectativa do mercado se encontra no plano de recuperação extrajudicial da companhia. Deste modo, a possível adesão dos credores ao plano formal pode impedir que a empresa chegue ao pedido de recuperação judicial.
Lava Jato e sal-gema
Entre os maiores impactos sentidos pela petroquímica estão a Lava Jato e a extração do sal-gema em Maceió (AL). Antes da IG4 Capital assumir o controle da petroquímica, a acionista majoritária era a Novonor, antiga Odebrecht. Deste modo, durante as investigações da Lava-Jato, a Odebrecht utilizou ações da Braskem como garantia para operações financeiras.
Além disso, a antiga controladora firmou acordos de modo a colaborar com as investigações em troca de punições menores. Isso, então, impactou diretamente a estrutura societária da companhia.
Outro impacto da empresa foi a extração do sal-gema em Maceió, resultando no afundamento de diversos bairros da capital alagoana. Assim, conforme apurou O Brasilianista, a petroquímica teve um impacto financeiro grande, com a realocação dos cidadãos atingidos e pagamento de indenizações devidas.

