O Brasil deixou de ser apenas um mercado promissor para as plataformas de apostas e passou a ocupar posição de destaque no cenário internacional.
Após a regulamentação do setor, o país se consolidou entre os cinco maiores mercados de bets do mundo, enquanto pesquisas mostram expansão do número de apostadores, aumento da movimentação financeira durante a Copa do Mundo de 2026 e mudanças no comportamento de consumo das famílias.
Brasil virou um dos maiores mercados de apostas
O crescimento das apostas esportivas foi acelerado nos últimos anos. Segundo levantamento da consultoria Regulus Partners, o Brasil passou a ocupar a quinta posição entre os maiores mercados de apostas online do mundo.
A estimativa apontava receita líquida de aproximadamente US$ 4,1 bilhões em 2025, atrás apenas de Estados Unidos, Reino Unido, Itália e Rússia.
O avanço ocorreu em ritmo acelerado. Em 2014, o mercado brasileiro movimentava cerca de US$ 300 milhões.
Uma década depois, a expansão foi impulsionada pela popularização dos aplicativos, pela regulamentação do setor, pelo crescimento do Pix e pelo aumento da publicidade das plataformas.
O próprio mercado também ganhou escala. O número de empresas de apostas cresceu 153% desde 2021.
Apenas em 2025, as empresas regulamentadas administravam 182 marcas diferentes e atendiam mais de 17 milhões de jogadores ativos.
Pix, celular e futebol explicam o avanço
A legalização das apostas esportivas em 2018, seguida por um longo período antes da regulamentação definitiva, permitiu que as plataformas expandissem rapidamente sua base de clientes.
Outro fator considerado decisivo foi o Pix. Em estudo técnico elaborado para o Senado, o Banco Central estimou que as plataformas receberam entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões por mês em transferências realizadas principalmente por meio do sistema de pagamentos instantâneos durante 2024.
Além disso, o futebol passou a funcionar como principal porta de entrada para novos usuários.
Patrocínios em clubes, campeonatos, transmissões esportivas e campanhas publicitárias aumentaram a exposição das marcas e ajudaram a popularizar as apostas entre os brasileiros.
Onde as bets mais cresceram
Os dados do DataSenado mostram que o comportamento dos apostadores varia conforme o estado.
Em levantamento nacional realizado com mais de 21 mil entrevistados, Roraima e Pará registraram os maiores percentuais de pessoas que afirmaram ter apostado nos 30 dias anteriores à pesquisa, ambos com 17%.
Na sequência aparecem Mato Grosso, também com 17%, Alagoas, com 15%, e Maranhão, Sergipe e Bahia, todos com 14%. Na outra ponta, o Ceará apresentou o menor índice nacional, com 8% da população declarando ter realizado apostas esportivas.
Levantamento divulgado durante a Copa do Mundo de 2026 pela empresa Klavi também identificou predominância de estados da Região Norte entre os maiores percentuais de apostadores.
Acre, Rondônia, Tocantins e Amapá lideraram a participação proporcional dentro da amostra monitorada durante o torneio.
Quem é o apostador brasileiro
Segundo o DataSenado, 62% dos apostadores são homens e 56% têm até 39 anos. A maioria possui ensino médio completo e recebe até dois salários mínimos por mês.
Entre aqueles que apostaram, grande parte declarou ter gasto até R$ 500 nos 30 dias anteriores à pesquisa.
O Banco Central estima que aproximadamente 24 milhões de brasileiros realizaram ao menos uma transferência para empresas de apostas durante o período analisado em 2024.
O estudo também mostra que os valores médios aumentam conforme a idade: enquanto os mais jovens transferem cerca de R$ 100 por mês, entre os apostadores mais velhos a média ultrapassa R$ 3 mil mensais.
Outra pesquisa, realizada pela Anbima e pelo Datafolha, mostrou que a parcela da população que aposta aumentou de 15% para 17% entre 2024 e 2025. Entre os jovens da geração Z, o percentual chega a 27%, o maior entre todas as faixas etárias.
A Copa do Mundo elevou as apostas
A realização da Copa do Mundo de 2026 também provocou aumento na movimentação financeira das plataformas.
Os brasileiros transferiram mais de R$ 507 milhões para casas de apostas apenas entre o início do Mundial e o dia 25 de junho, considerando uma amostra de 1,2 milhão de usuários conectados ao Open Finance.
Nos dias de jogos da Seleção Brasileira, a movimentação cresceu ainda mais. Apenas na partida contra a Escócia foram registrados R$ 25,5 milhões em transferências, valor 35% superior à média diária observada antes do início da competição. O valor médio enviado por apostador também aumentou, passando de R$ 188 para R$ 235.
As projeções para o torneio também indicam crescimento expressivo. Estimativas apontam que a Copa poderá movimentar até R$ 31 bilhões em apostas realizadas por brasileiros ao longo da competição.
Bets disputam espaço com outros gastos das famílias
O avanço das apostas também passou a ser observado sob o ponto de vista do consumo das famílias.
Parte da renda destinada anteriormente ao comércio passou a ser direcionada às plataformas de apostas. Entre os apostadores, 23% afirmaram reduzir compras de roupas para apostar e 19% disseram cortar gastos em supermercados.
Quase metade dos apostadores admite abrir mão de algum tipo de consumo para continuar apostando. Entre os gastos mais afetados aparecem lazer, restaurantes, viagens, vestuário e até pagamento de contas.
O Banco Central também chamou atenção para o impacto entre famílias de menor renda. A autoridade monetária estimou que cerca de cinco milhões de beneficiários do Bolsa Família enviaram aproximadamente R$ 3 bilhões para empresas de apostas por meio do Pix apenas em agosto de 2024.

