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Justiça

Entenda por que a disputa nas redes sociais virou batalha diária no TSE antes mesmo da campanha

Quase 120 ações já foram apresentadas por PT e PL para retirar conteúdos do ar

Entenda por que a disputa nas redes sociais virou batalha diária no TSE antes mesmo da campanha

A explosão de ações entre Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido Liberal (PL) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que as redes sociais se tornaram um dos principais campos da disputa eleitoral antes mesmo do início oficial da campanha.

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Levantamento obtido pela CNN Brasil mostra que PT e PL já acumulam cerca de 120 ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvendo publicações nas plataformas digitais.

As representações tratam de conteúdos produzidos com inteligência artificial, propaganda eleitoral antecipada, impulsionamento irregular e postagens consideradas ofensivas ou falsas, evidenciando que a comunicação online passou a ser um dos principais focos da estratégia jurídica das duas campanhas.

Disputa nas redes chega primeiro ao TSE

O Partido dos Trabalhadores contabiliza aproximadamente 60 medidas adotadas entre fevereiro e 18 de junho deste ano, entre representações, pedidos de direito de resposta, notícias-crime e ofícios enviados às plataformas digitais.

Os principais alvos são o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), parlamentares aliados e perfis nas redes sociais.

Entre os conteúdos questionados estão publicações feitas com inteligência artificial, impulsionamento considerado irregular e associações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e organizações criminosas.

No mesmo período, o Partido Liberal apresentou cerca de 58 representações contra Lula, integrantes do PT e aliados.

Em comum, as ações buscam retirar conteúdos do ar, responsabilizar autores das publicações e obter decisões rápidas da Justiça Eleitoral antes que as mensagens ampliem seu alcance nas plataformas digitais.

As decisões recentes da ministra Estela Aranha reforçaram esse movimento. Em liminares concedidas nesta semana, a magistrada determinou a remoção de conteúdos publicados por ambos os lados que associavam Lula e Flávio Bolsonaro ao crime organizado, sob o entendimento de que acusações sem respaldo em fatos concretos podem configurar propaganda eleitoral antecipada negativa.

Engajamento virou ativo estratégico das campanhas

De acordo com levantamento da consultoria Bites, divulgado pelo O Brasilianista, políticos identificados com a direita concentraram 1,48 bilhão de interações nas principais redes sociais, considerando Facebook, Instagram, YouTube, TikTok e X.

No mesmo período, lideranças da esquerda registraram 417 milhões de interações, enquanto representantes do centro e do centrão somaram 171 milhões.

Segundo o diretor técnico da Bites, André Eler, a principal diferença está no comportamento da própria audiência.

“É uma bolha mais engajada, com pessoas interessadas o tempo inteiro no conteúdo político que circula nas redes”, afirmou.

Quanto maior o número de curtidas, comentários e compartilhamentos, maior também tende a ser o alcance proporcionado pelos algoritmos das plataformas.

A cientista política Camila Rocha, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), também destacou que parte desse desempenho está relacionada ao surgimento de influenciadores políticos que atuam simultaneamente como criadores de conteúdo e ativistas digitais.

Segundo ela, a direita conseguiu desenvolver um ecossistema descentralizado de comunicação capaz de ampliar rapidamente a circulação de mensagens políticas.

Políticos adaptam comunicação ao ambiente digital

O crescimento da presença digital também modificou a forma como candidatos constroem sua visibilidade.

Segundo reportagem publicada pelo O Brasilianista sobre a pré-candidatura de Renan Santos, nomes com pouca estrutura partidária passaram a disputar espaço com lideranças tradicionais graças à produção constante de conteúdo para redes sociais, podcasts e transmissões ao vivo.

Durante o evento J. Safra Macro Day, o sócio da Arko Advice, Lucas Aragão, afirmou que mecanismos tradicionais de construção de popularidade perderam espaço para estratégias digitais.

Segundo ele, praticamente toda decisão política passou a ser julgada em tempo real pelas redes sociais, influenciando imediatamente a percepção do eleitorado.

No mesmo encontro, Yuri Sanches, da AtlasIntel, avaliou que a comunicação digital deverá ocupar papel central nas eleições de 2026 devido à volatilidade do eleitorado e à velocidade com que conteúdos positivos ou negativos circulam nas plataformas.

Partidos reorganizam estrutura para disputar audiência

A importância crescente das plataformas digitais também provocou mudanças na organização interna das legendas.

Segundo O Brasilianista, o PT lançou neste mês a plataforma “Porta-vozes do Lula”, criada para ampliar a participação da militância nas redes sociais, aumentar o alcance das ações do governo e responder com maior rapidez à circulação de conteúdos considerados falsos.

Integrantes do partido avaliam que a direita consolidou vantagem competitiva nas plataformas ao longo da última década, principalmente por meio de parlamentares, influenciadores e lideranças religiosas que mantêm comunicação frequente com milhões de seguidores.

O novo programa pretende ampliar a presença do campo progressista junto ao público mais jovem.

Embora o Fundo Especial de Financiamento de Campanha continue sendo uma das principais fontes de recursos eleitorais, dirigentes partidários ouvidos na reportagem afirmam que capacidade de mobilização digital passou a influenciar diretamente a formação da opinião pública, tornando a presença nas redes sociais um ativo estratégico tão importante quanto a estrutura tradicional das campanhas.

O avanço das ações no TSE reflete uma mudança no comportamento das campanhas. Em vez de concentrar disputas apenas durante o período eleitoral oficial, partidos passaram a monitorar publicações praticamente em tempo real e recorrer imediatamente à Justiça para pedir remoção de conteúdos considerados irregulares.

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