A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) divulgou, nesta terça-feira (30), o afastamento do magistrado Valdemir Ferreira Santos de suas funções no Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI). A acusação é de beneficiar investigados da Operação Carbono Oculto.
Segundo nota da instituição, as supostas irregularidades incluem a atuação de Santos na Central de Inquéritos de Teresina e usurpação de competência. Em tese, o magistrado teria trancado um inquérito após o oferecimento de uma denúncia. Desta maneira, cassando medidas cautelares que haviam, anteriormente, sido emitidas pelo tribunal.
Além disso, o magistrado também teria ordenado o desentranhamento de provas ilegalmente de uma ação penal que tramitava em outro juízo. Deste modo, o CNJ bloqueou os acessos do juiz aos sistemas e ao prédio do tribunal.
Relembre a Operação Carbono Oculto
Deflagrada em agosto de 2025 pela Polícia Federal (PF), a Operação Carbono Oculto é uma das maiores operações da corporação contra o crime organizado. A investigação averigua esquemas de fraudes e de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Assim, estão na mira da operação diversos elos da cadeia de produção de combustíveis que são controlados pelo crime organizado.
Segundo apurou O Brasilianista, em nova deflagração, a PF mirou estruturas financeiras e empresas suspeitas de participação em esquema que, possivelmente, movimentou bilhões nos últimos anos. O foco investigativo estava voltado para identificar os novos operadores financeiros.
Desta forma, as fintechs se tornaram alvo central da operação. De acordo com a averiguação da PF, as instituições teriam sido utilizadas para ocultar a movimentação financeira atribuída ao esquema de lavagem de dinheiro e sonegação investigados. Segundo a Receita Federal, seis instituições de pagamentos identificadas na primeira fase da deflagração movimentaram mais de R$ 26 bilhões no período de 2022 a 2025.
CNJ afastou desembargador no TJRJ
Em março de 2026, o CNJ afastou o desembargador Guaraci de Campos Vianna, da 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Conforme apuração de O Brasilianista, há indícios de irregularidades durante a condução de um processo bilionário relacionado à Operação Carbono Oculto.
Uma das condutas de Guaraci apontadas como irregular é a contratação de uma empresa pericial suspeita de parcialidade, devido a vínculos anteriores com a Refinaria de Petróleos de Manguinhos (Refit). O desembargador teria, também, ordenado o pagamento imediato de 50% dos honorários parciais e R$ 3,9 milhões sem ouvir as partes envolvidas no processo.
Saiba quem são Beto Louco e Primo
Durante a averiguação da Operação Carbono Oculto, cerca de mil postos de combustíveis foram identificados, possivelmente ligados aos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo.
De acordo com apuração de O Brasilianista, o levantamento considera dados obtidos a partir de documentos apreendidos durante a investigação e ainda está em fase inicial. Conhecido como Beto Louco, o empresário Roberto Augusto Leme da Silva é apontado como um dos principais articuladores de um esquema ligado ao PCC. Conforme a averiguação, ele estaria operando na gestão financeira da operação.
Já o Primo, como é conhecido Mohamad Hussein Mourad, é descrito como o responsável pela organização central das operações. Desta maneira, ele estaria conectado à criação e gestão das empresas que atuam na cadeia de combustíveis.

