O pré-candidato à presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), anunciará nesta quarta-feira (01) uma chapa com o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. A composição de uma chapa pura do partido foi forçada pela dificuldade em atrair alianças.
Em reportagem de O Globo, a chapa foi confirmada por três interlocutores da pré-campanha de Caiado. Além disso, aliados de Kassab foram informados de que o presidente do partido havia aceitado o convite. A definição encerra as negociações internas da legenda, que discutiam as possibilidades internas e alianças com outros partidos.
Apesar de buscar outra legenda para fortalecer parceria e a candidatura, os integrantes da cúpula avaliaram que Kassab seria a melhor opção. Deste modo, a integração também sanou rupturas internas do partido, visto que apoiadores liderados pelo presidente defendiam uma chapa inteiramente pura, enquanto outros dirigentes buscavam nomes no União Brasil e, posteriormente, no PP, com o objetivo de ampliar o tempo de televisão, aumentar a estrutura partidária e atrair aliados antes das convenções.
A escolha de Kassab por Caiado também aponta um outro ângulo: o de união partidária. Isso, pois, desde que foi lançado pela legenda, governadores e pré-candidatos regionais do partido mantêm alianças com opositores. Assim, a união de políticos do PSD com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e, também, com o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) dificulta a união partidária à candidatura de Caiado.
Sendo assim, a avaliação é de que Kassab seria o nome ideal para reunir e reduzir as resistências de dentro da legenda. Desta forma, com o anúncio engatilhado, a definição encerra uma das pendências da candidatura, que agora poderá focar na consolidação de alianças.
Investigação contra Kassab foi arquivada no STF
Kassab foi investigado por suposta prática de recebimento de vantagens indevidas e prestação de informações falsas para fins eleitorais. O inquérito, porém, foi arquivado pelo ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), cumprindo solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A investigação foi iniciada por conta de um termo de colaboração assinado entre o Ministério Público Federal (MPF) e os empresários Wesley Batista e Ricardo Saud, ambos do Grupo J&F. Assim, o inquérito averiguava um possível pagamento de R$ 28 milhões pela JBS, em troca de apoio político do PSD ao PT durante as eleições de 2014.
Terceira via é uma opção para o eleitorado
Segundo apurou O Brasilianista, 1/5 do eleitorado prefere uma terceira via nas eleições de 2026. Conforme pesquisa da BTG/Nexus, o desgaste da imagem de Flávio Bolsonaro com os desdobramentos do filme Dark Horse e a polarização do presidente Lula, 18% entre os entrevistados afirmaram preferência na terceira via em disputa presidencial.
Apesar da liderança de Lula, o estudo demonstra um ambiente eleitoral marcado por polarização. Assim, no primeiro turno, as intenções de voto do presidente da República flutuam entre 40% e 41%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 35% e 38%.

