Apesar de o fim da escala 6×1 não ter sido aprovado no Congresso Nacional, algumas varejistas já se anteciparam e adotaram a escala 5×2. A mudança foi realizada visando atrair novos funcionários no setor.
Dentre as companhias, estão alguns supermercados e farmácias. Em Minas Gerais, o supermercado Supernosso testou a troca de escala em suas 45 lojas de Belo Horizonte. A iniciativa começou com três unidades e possui planejamento para se espalhar em todos os 45 estabelecimentos da capital mineira e aproximadamente 4.800 funcionários.
A rede Extrabom, no Espírito Santo, também iniciou os testes para a adoção da escala reduzida de trabalho. A proposta se iniciou com três lojas e envolve apenas parte dos funcionários. Assim, a depender dos resultados alcançados com a iniciativa, a companhia decidirá se optará pela expansão do projeto.
Segundo apurou O Brasilianista, a rede de supermercados Savegnago informou aos seus funcionários a adoção da escala 5×2. A medida foi efetuada em todas as unidades da rede, presente em 20 cidades no Estado de São Paulo.
No Distrito Federal, a Atacadista Super Adega anunciou a redução da jornada de trabalho por meio das redes sociais. Além disso, com o intuito de atrair funcionários, os estabelecimentos da rede estenderam faixas indicando a mudança.
Medida visa atrair funcionários
Em conversa com O Brasilianista, o sócio de Risco e Sustentabilidade da Baker Tilly Brasil, Gabriel Buzzi, afirma que, em setores nos quais a oferta de emprego é maior, o trabalhador tende a escolher locais que aderiram à escala 5×2, visando qualidade de vida. De acordo com pesquisa realizada pelo Datafolha, sete a cada dez brasileiros defendem o fim da escala 6×1.
Para a professora de empreendedorismo e coordenadora do Hubs IBMEC, Hannah Salmen, em entrevista a O Brasilianista, a antecipação do varejo para a escala 5×2 remete a diversos fatores que envolvem, também, a construção da imagem de uma empresa mais atrativa para o trabalho.
Conforme a especialista comenta, a estratégia também se baseia em uma tentativa de reorganizar equipes antes da determinação legal. Desta forma, buscando uma transição mais eficiente.
Buzzi complementa que o varejo convive com a rotatividade do setor há muitos anos, tornando o custo de reposição de trabalhadores um problema operacional crônico. Para tal, ao entender que a escala de trabalho é um fator de demissão, a questão se transforma em uma variável de gestão.
O caso da RD Saúde
Além de supermercados, farmácias também aderiram à mudança da escala de trabalho. Um dos casos mais notáveis é o da RD Saúde, que gere as redes da Raia e Drogasil. Em anúncio, a companhia confirmou que passou a adotar a escala 5×2 em todas as suas unidades.
A mudança foi efetuada de maneira gradual, com cargos de gestão até a operação das lojas e sem alterar a carga horária. Dessa forma, o Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de São Paulo ajuizou uma ação contra a companhia, para a alteração no contrato de trabalho e mudança da carga horária.
Segundo o sindicato, a escala em vigor não diminuiu a carga horária, apenas redistribuiu os dias de trabalho. Sendo assim, o problema de sobrecarga não teria sido solucionado.

