Mesmo não sendo o país sede da Copa do Mundo, a preocupação de muitos brasileiros é com a segurança durante o evento. Assim, como muitas pessoas se reúnem a fim de assistir aos jogos da seleção, o debate sobre o aumento ou diminuição da criminalidade também se torna um tópico.
Segundo o Professor Doutor do Departamento de Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Mauricio Stegemann Dieter, pode não ser expressivo, mas há uma queda na criminalidade e na criminalização durante o período do evento. Isso se dá por conta do aumento do policiamento em locais estratégicos.
O especialista explica que existem três tipos de polícia: a investigativa, a ostensiva e a operativa. Assim, embora elas possam combinar-se entre si frequentemente, a polícia ostensiva é, principalmente, a polícia militar. Desta forma, em grandes eventos como a Copa do Mundo, há um aumento significativo do ostensivo para a proteção do evento em questão.
“Então você tem logicamente uma diminuição na prática de crimes por conta do contingente extraordinário mobilizado em função de grandes eventos, mas você também tem uma diminuição da criminalização e não só da criminalidade, porque a polícia não está dispersa para a repressão nos ambientes em que ela normalmente se mobiliza, porque ela está precisamente sendo dirigida”, comenta.
Sendo assim, o especialista afirma que, dado o aumento do policiamento ostensivo e da mobilização de efetivo, é possível registrar uma queda tanto na criminalização quanto na criminalidade. “É uma ligeira queda, mas ela se verifica e dura o tempo de realização do evento.”
Além disso, o professor comenta que o reforço do policiamento cria uma alocação extremamente direcionada. Desta maneira, cria-se uma força-tarefa de curta duração para a apuração de práticas ilícitas que podem ser cometidas por brasileiros ou por estrangeiros.
“Você tem que produzir qualquer hipótese incriminatória de investigação antecipadamente. Então, esse alocamento de efetivo extremamente concentrado, implica, naturalmente, uma presença proporcional, per capita, de policial, guarda municipal, segurança privada, muito maior”, explicita. “Esse reforço é um reforço que se concentra espacialmente, no sentido de certos setores que vão estar especialmente vigiados, mas ele também é um aumento absoluto na proporção entre pessoas que fazem guarda ostensiva ou apuração indiciária de crimes versus a população num determinado momento.”
Segurança pública é uma prioridade para brasileiros nas eleições
Segundo apurou O Brasilianista, a segurança pública é uma das áreas que devem ser focadas pela próxima gestão. Os dados são de uma pesquisa do Datafolha.
Além disso, os entrevistados avaliam que este é o pior setor de desempenho do atual presidente e pré-candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva.

