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Política

O que é o PL Mulher?

Crise com Flávio levou à saída de Michelle Bolsonaro

O que é o PL Mulher?

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou a presidência nacional do PL Mulher após uma crise pública com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência da República.

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O acordo foi fechado nesta terça-feira (30), durante reunião com o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto. Em nota, Michelle afirmou que passará a se dedicar integralmente ao marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e à filha, encerrando um ciclo iniciado em 2023 à frente do movimento feminino da legenda.

A decisão ocorre dias depois de Michelle tornar público um desentendimento com Flávio Bolsonaro, episódio que expôs divergências dentro do principal núcleo político da família Bolsonaro em meio às articulações para as eleições de 2026.

O que é o PL Mulher

O PL Mulher é o núcleo feminino do Partido Liberal responsável por reunir mulheres filiadas, ampliar a participação feminina na política e oferecer apoio às candidatas e parlamentares da legenda.

Além de incentivar novas filiações, o movimento promove cursos, encontros e materiais voltados à formação política.

De acordo com o próprio PL Mulher, o grupo atua com base nos princípios históricos do partido, defendendo pautas como fortalecimento da família, dignidade humana, liberdade econômica e participação feminina na vida pública.

O movimento afirma que busca ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão e fortalecer lideranças conservadoras em todo o país.

Durante sua gestão, Michelle afirmou que o PL Mulher deixou de existir apenas formalmente para ganhar estrutura nacional.

Em vídeo divulgado antes de anunciar sua saída, ela declarou que percorreu todos os estados para instalar diretórios estaduais e municipais e ampliar a presença do grupo.

Segundo a ex-primeira-dama, o trabalho contribuiu para a eleição de 1.005 mulheres pelo partido nas eleições municipais de 2024, crescimento de 45,8% em relação ao pleito de 2020.

Como começou a crise com Flávio Bolsonaro

A crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro começou nos bastidores das articulações para as eleições de 2026, mas ganhou dimensão nacional após a divulgação de um vídeo publicado pela ex-primeira-dama nas redes sociais.

Como explicou O Brasilianista, o conflito teve origem nas discussões sobre as alianças do PL no Ceará.

Michelle defendia apoio ao senador Eduardo Girão (Novo) para o governo estadual e criticava a aproximação de setores do partido com o ex-ministro Ciro Gomes.

Após esse episódio, segundo o relato da própria Michelle, Flávio teria afirmado durante uma conversa telefônica que ela deveria permanecer fora das decisões partidárias porque “não entendia de política”.

A ex-primeira-dama disse ter se sentido humilhada, desrespeitada e desestimulada a participar das articulações eleitorais.

O desentendimento também envolveu divergências sobre Santa Catarina.

Michelle defendia apoio à deputada Caroline de Toni (PL) para o Senado, enquanto Carlos Bolsonaro passou a disputar a mesma vaga.

Ela também chegou a manifestar simpatia pela candidatura do senador Esperidião Amin (PP), ampliando as diferenças dentro da família.

Crise expôs divisão no núcleo bolsonarista

Segundo O Brasilianista, a repercussão do vídeo obrigou Flávio Bolsonaro a mudar o discurso e publicar um pedido público de desculpas.

O senador afirmou que nunca teve intenção de ofender Michelle e reconheceu seu trabalho à frente do PL Mulher, além de agradecer pelos cuidados dedicados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A publicação, entretanto, não encerrou a crise. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, antecipou seu retorno ao Brasil para ouvir pessoalmente Michelle e Flávio.

Em declarações públicas, afirmou que a prioridade do partido era reconstruir a unidade interna antes do avanço da campanha presidencial.

Dirigentes do PL passaram a avaliar que uma divisão envolvendo Michelle poderia provocar desgaste justamente entre dois segmentos considerados estratégicos para o partido, o eleitorado feminino e os evangélicos, bases nas quais a ex-primeira-dama consolidou influência desde o período em que ocupou o Palácio do Planalto.

Saída amplia incertezas sobre futuro político

Como informou O Brasilianista, pessoas próximas a Michelle afirmaram que ela ficou desmotivada após a exposição pública do conflito e chegou a cogitar desistir da candidatura ao Senado.

O episódio também provocou novos sinais de distanciamento dentro da família Bolsonaro, incluindo a decisão de deixar de seguir Eduardo e Carlos Bolsonaro nas redes sociais.

Apesar da saída da presidência do PL Mulher, Michelle afirmou, em nota, que continuará apoiando o crescimento do movimento feminino e agradeceu a Valdemar Costa Neto pela autonomia recebida durante sua gestão.

Também disse acreditar que o grupo seguirá crescendo e incentivando a participação das mulheres na política por meio do trabalho desenvolvido pelas lideranças estaduais e municipais do partido.

Nota de Michelle na íntegra

“Na condição de Presidente do Partido Liberal Mulher, venho por meio desta informar que, após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o Presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar – integralmente – aos cuidados para com o meu marido e minha filha. Durante o período em que estive à frente do PL Mulher, construímos – juntamente com as nossas presidentes – um grande exército de mulheres de bem que já começaram a transformar o Brasil e a corrigir os rumos da nossa Nação.

Conhecendo a força e a capacidade das mulheres brasileiras, tenho certeza de que o nosso movimento crescerá ainda mais e teremos um futuro próspero para os nossos filhos e netos. Quero agradecer, na pessoa da minha vice-presidente, Priscila Costa – a todas as minhas presidentes estaduais e municipais que, com tanto carinho, empenho e dedicação tornaram possível a expansão de nosso movimento que está edificando o nosso país. Sem vocês, nada disso seria possível.

As sementes foram lançadas e, em breve, vocês colherão os frutos desse trabalho tão lindo que vocês realizaram em favor das famílias de nossa grande Nação. Peço a Deus que esteja sempre com vocês, inspirando e conduzindo esse trabalho e que as mulheres ocupem, cada vez mais, os lugares que lhes pertencem nas esferas de decisão e de poder. Vocês estarão sempre nas minhas orações como forma de gratidão e de amor por cada uma de vocês.

Agradeço também o Presidente Valdemar pela autonomia que me concedeu e por ter confiado a mim tão nobre desafio. À minha amada equipe da Nacional, mulheres e homens gigantes que comigo enfrentaram todos os desafios que surgiram à nossa frente, agradeço do fundo do meu coração. Somente Deus pode recompensá-los por todo bem que fizeram a mim e ao nosso

Brasil. Eu amo a vida de cada um de vocês.

Que Deus os abençoe. Que Ele abençoe as nossas famílias. Que Deus abençoe o nosso amado Brasil.”

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