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Justiça

O que se sabe até o momento sobre a relação entre o Grupo Entre Investimentos e Vorcaro

Fundador do Grupo Entre Investimentos aparece em conversas reveladas por reportagens que mostram transferências de recursos para fundo que financia o filme Dark Horse

O que se sabe até o momento sobre a relação entre o Grupo Entre Investimentos e Vorcaro

O Brasilianista fez um levantamento sobre o que se sabe até o momento a respeito da relação entre Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, e o Grupo Entre Investimentos, empresa do segmento de gestão de investimentos em aplicações financeiras e proprietária da IstoÉ.

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Nesta semana, uma reportagem publicada pelo jornal O Globo detalhou a tentativa frustrada do ex-banqueiro de barrar publicações que comprometiam a reputação do banco.

De acordo com o jornal, o empresário tentou apresentar uma proposta milionária por meio do Grupo Entre. Trata-se da mesma empresa citada nas investigações como responsável por investir no filme Dark Horse, que contará a história da trajetória de Jair messias Bolsonaro

O Brasilianista procurou o Grupo Entre Investimentos para obter esclarecimentos sobre a relação da empresa com Daniel Vorcaro. No entanto, todos os canais de comunicação disponíveis estavam impossibilitados de receber ligações ou mensagens.

Os levantamentos sobre o fundo Havengate

O The Intercept revelou a transferência de US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,34 milhões) repassados pela Entre ao fundo Havengate. Segundo a publicação, esse fundo privado seria utilizado para financiar o filme que contará a história de seu pai.

O Grupo Entre respondeu aos questionamentos afirmando, em nota, que realiza suas operações em conformidade com a regulamentação do setor financeiro e que permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.

O Brasilianista já mostrou que recursos ligados a Daniel Vorcaro também eram controlados por seu primo e por seu cunhado, Fabiano Zettel. Em uma das conversas obtidas nas investigações, Vorcaro orientou Zettel a acompanhar o cronograma de pagamentos do filme.

Em resposta, Zettel afirmou que iria “pra cima do Mineiro”, em referência a Antônio Carlos Freixo Junior, responsável pelo Grupo Entre Investimentos. “Vou pra cima do Mineiro. Passei o fluxo para ele. Achei que ele tava fazendo”, disse o cunhado.

Em 2025, as investigações, segundo o The Intercept, apontaram que o empresário fazia parte da lista de contatos de Daniel Vorcaro e era identificado pelo apelido de Minas.

O fundo é investigado pela Polícia Federal (PF) por supostas transferências de recursos de Daniel Vorcaro aos filhos de Jair Bolsonaro. A revelação também mostrou conversas entre Vorcaro e o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas quais eram discutidos R$ 134 milhões. Desse total, ao menos R$ 10,6 milhões teriam sido destinados pelo banqueiro ao financiamento do filme.

O que o Grupo Entre recebeu de Vorcaro, segundo a PF

A Entre Investimentos é apontada nas investigações como uma intermediadora de repasses financeiros de Daniel Vorcaro destinados à produção do filme Dark Horse, no âmbito da segunda fase da operação Compliance Zero.

Segundo as investigações, o grupo teria recebido R$ 159,2 milhões dos fundos investigados. A maior parte desse valor, R$ 139,2 milhões, teria sido repassada pela Sefer Investimentos, também investigada pela PF.

Os R$ 20 milhões restantes teriam origem no fundo Gold Style, administrado pela Reag empresa ligada a Daniel Vorcaro. A empresa é apontada nas investigações da PF por receber um aporte de R$ 1 bilhão de empresas investigadas por lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Antonio Carlos Freixo Junior, o ‘Mineiro’

Freixo fundou o Grupo Entre Investimentos em 2016 e, em 2022, criou a Entrepay, instituição financeira voltada ao setor de pagamentos.

No fim de março, após mais uma fase da operação Compliance Zero, o Banco Central do Brasil (Bacen) decretou a liquidação da Entrepay, empresa ligada a Antonio Carlos Freixo Junior.

Em 2022, o empresário venceu o leilão para aquisição dos portais da Editora Três, responsável pela IstoÉ, por R$ 15 milhões. Em maio de 2025, porém, bloqueios judiciais de bens fizeram com que deixasse de pagar jornalistas que trabalhavam no grupo.

Processo na CVM

Em outra investigação, o “Mineiro” foi acusado de participar de um esquema de manipulação de preços de ativos financeiros, segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

De acordo com as investigações, ele teria participado de um esquema considerado fraudulento relacionado à emissão de cotas do Brazil Realty FII, fundo de investimento imobiliário.

Antonio Carlos Freixo Junior apresentou uma proposta de acordo no valor de R$ 800 mil. No entanto, o comitê responsável pela análise entendeu que o valor era insuficiente, uma vez que não previa o ressarcimento dos investidores que teriam sido prejudicados. Daniel Vorcaro também figurava como acusado nos mesmos documentos.

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