Neste domingo (05), a seleção brasileira de futebol enfrenta a seleção norueguesa por uma vaga para as quartas de final da Copa do Mundo a partir das 17h. A relação comercial e diplomática entre os países, porém, sempre jogou junto pela sustentabilidade.
Segundo o gerente de Comércio Internacional da BMJ Consultores Associados, Josemar Franco, o país nórdico e o Brasilpossuem raízes diplomáticas e comerciais que remontam ao início do século XX. Para o especialista, as relações foram fortalecidas principalmente pelo plano Estratégia Brasil, lançado em 2011 pelo governo norueguês.
“A Noruega é um dos principais investidores na área de sustentabilidade no Brasil, sendo um parceiro estratégico não apenas comercial”, explica e completa: “A Estratégia Brasil direciona a relação entre os dois países em temas como comércio, investimentos e desenvolvimento sustentável”.
O plano Estratégia Brasil possui quatro diretrizes prioritárias, visando o relacionamento bilateral de Brasil e Noruega. Assim, são eles: comércio e investimentos; clima, meio ambiente e desenvolvimento sustentável; desafios globais; e conhecimento e desenvolvimento social.
Segundo o Ministério de Relações Exteriores, desde 1960 há investimentos noruegueses em terras brasileiras. Um dos exemplos citados é a Aracruz Celulose, que foi fundada em 1967 pela família Lorentzen.
Outro investimento registrado no país é pelo Fundo Amazônia Legal, no qual a Noruega é um dos principais investidores. Conforme dados de auditoria do fundo, o país doou R$ 3,804 bilhões para a instituição até 2025. Essa é a quantia que já foi institucionalizada.
Acordo Mercosul e EFTA
Franco destaca, também, que o acordo entre Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) fortaleceu a relação entre os países. O tratado está em fase de internalização.
“O acordo de livre comércio entre o Mercosul e o EFTA estreita as relações entre Brasil e Noruega, principalmente na eliminação das tarifas entre os dois países, de acordo com o cronograma de desgravação tarifária”, comenta. A eliminação das alíquotas de importação tende a aumentar o fluxo comercial entre os países, garantindo maior abertura de mercado para empresas brasileiras e norueguesas.
O especialista comenta que, dentre os principais setores beneficiados com o tratado, estão o do agronegócio, principalmente para as exportações de carnes, as indústrias de máquinas e químicos. Além disso, há cláusulas específicas que focam no desenvolvimento sustentável.
“O acordo também possui cláusulas focadas no desenvolvimento sustentável e matrizes energéticas limpas, alinhando-se aos interesses noruegueses de investir em soluções climáticas e na preservação ambiental no Brasil”, acrescenta.
Há expectativa para que o acordo entre em vigor em 2026
Em entrevista ao Exame, o embaixador da Noruega, Kjetil Elsebutangen, afirma que a expectativa é de que o tratado entre em vigor ainda neste ano de 2026. Segundo o diplomata, o acordo pode impulsionar novos investimentos.
Além da Noruega, o tratado reúne os outros três países do EFTA: Suíça, Islândia e Liechtenstein. Para o embaixador, a parceria representa uma nova fase entre o Brasil e a Noruega, indo além de apenas reduções tarifárias e consolidando a relação comercial entre as nações, que perdura quase dois séculos.

