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Economia

Participação dos EUA no comércio brasileiro atinge menor nível histórico e especialistas alertam para perda de competitividade

Reduzir a dependência de um único parceiro comercial passa tanto pelo fortalecimento da diplomacia quanto pela ampliação de acordos internacionais

Participação dos EUA no comércio brasileiro atinge menor nível histórico e especialistas alertam para perda de competitividade

A participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro atingiu o menor patamar da série histórica para um primeiro semestre desde 1997. Dados divulgados pela Amcham Brasil mostram que a corrente de comércio entre os dois países somou US$ 36,4 bilhões entre janeiro e junho de 2026, uma retração de 12,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano caíram 13%, enquanto as importações recuaram 12,5%.

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O desempenho contrasta com o crescimento das exportações brasileiras para outros mercados, como China e União Europeia, e reacende o debate sobre os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Para o CEO do Grupo BMS e especialista em Direito Tributário Internacional, Rubens Tavares, a perda de competitividade provocada pelas sobretaxas já pode ser medida em números.

Segundo ele, a competitividade internacional depende diretamente do preço final do produto no mercado de destino. Quando mercadorias brasileiras passam a sofrer incidência de tarifas adicionais, tornam-se mais caras que produtos concorrentes de países que não enfrentam as mesmas barreiras comerciais.

“Quando o produto brasileiro chega ao importador americano com sobretaxa e o concorrente colombiano, vietnamita ou mexicano não paga o mesmo, o brasileiro perde o pedido não por ser pior, mas porque ficou mais caro”, explica.

Na avaliação do especialista, o impacto vai além das estatísticas de comércio exterior e atinge diretamente empresas que estruturaram suas operações para atender ao mercado norte-americano. Com menor volume de vendas, exportadores passam a conviver com redução de margens de lucro, aumento de estoques e necessidade de rever estratégias comerciais.

Consumidores americanos também pagam a conta

Embora as tarifas tenham sido impostas pelo governo norte-americano, Rubens Tavares destaca que os custos não recaem apenas sobre os exportadores brasileiros. Segundo ele, do ponto de vista econômico, a tarifa é um imposto pago pelo importador nos Estados Unidos. Isso significa que parte do aumento acaba sendo repassada ao consumidor final.

“O exportador brasileiro reduz sua margem para permanecer competitivo, enquanto importadores e consumidores americanos acabam absorvendo parte do aumento dos custos”, afirma.

O especialista lembra que, diante da pressão inflacionária observada nos Estados Unidos, o próprio governo norte-americano decidiu retirar tarifas incidentes sobre produtos como café, carne e frutas no final de 2025, justamente para reduzir o impacto sobre os preços pagos pela população.

Empresas brasileiras buscam novos mercados

A redução das exportações para os Estados Unidos também tem acelerado um movimento de diversificação dos destinos das vendas brasileiras.

De acordo com Rubens Tavares, empresas exportadoras passaram a ampliar negociações com países da Ásia, do Oriente Médio e da Europa como forma de reduzir a dependência do mercado norte-americano.

Segundo ele, China, Índia, Vietnã, Singapura e Arábia Saudita aparecem entre os principais mercados alternativos para produtos brasileiros, enquanto o acordo entre Mercosul e União Europeia também ganha importância estratégica.

Na avaliação do especialista, esse processo pode produzir mudanças permanentes no comércio internacional. “Uma tarifa pode ser retirada no futuro, mas uma relação comercial construída com novos parceiros dificilmente é desfeita. Quando uma empresa estabelece logística, certificações sanitárias e contratos em outro mercado, ela tende a permanecer nesse novo destino”, observa.

Indústria e commodities seguem mais expostas

Os impactos das sobretaxas variam conforme o setor econômico. Conforme os dados da Amcham, produtos industriais responderam pela maior parte da retração das exportações brasileiras no primeiro semestre.

Para Rubens Tavares, setores como siderurgia, alumínio, cobre, máquinas, manufaturados, móveis, pescados e outros segmentos com elevada dependência do mercado norte-americano permanecem entre os mais vulneráveis.

Embora alguns produtos, como café e carne, tenham sido temporariamente beneficiados por isenções tarifárias, o especialista alerta que essas medidas podem ser revistas conforme evoluam as negociações comerciais entre os dois países.

Reforma tributária pode fortalecer exportações

Além das negociações diplomáticas, Rubens Tavares avalia que a reforma tributária brasileira poderá contribuir para elevar a competitividade das exportações no médio e longo prazo. Segundo ele, a desoneração das exportações prevista na nova legislação tende a reduzir parte dos custos tributários atualmente incorporados ao preço dos produtos brasileiros vendidos ao exterior.

Entretanto, o especialista ressalta que os efeitos positivos dependerão da regulamentação definitiva das novas regras, da definição das alíquotas e da capacidade das empresas de se adaptarem ao período de transição entre os sistemas tributários.

Na avaliação dele, o impacto das tarifas norte-americanas continuará sendo mais intenso no curto prazo, enquanto os benefícios da reforma tributária serão graduais.

Diplomacia e acordos comerciais ganham importância

Para o especialista, reduzir a dependência de um único parceiro comercial passa tanto pelo fortalecimento da diplomacia quanto pela ampliação de acordos internacionais.

Rubens Tavares defende que o avanço das negociações entre Mercosul e União Europeia, além da aproximação com mercados asiáticos e do Oriente Médio, representa uma estratégia importante para diminuir riscos decorrentes de disputas comerciais.

Ao mesmo tempo, ele destaca que o Brasil também precisa enfrentar desafios internos que afetam sua competitividade, como elevada carga tributária, altos custos logísticos, juros elevados e insegurança regulatória.

Segundo o especialista, o fortalecimento da competitividade nacional dependerá da combinação entre estabilidade institucional, previsibilidade tributária, diversificação de mercados e manutenção de relações diplomáticas capazes de preservar o acesso dos produtos brasileiros aos principais mercados internacionais.

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