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Geopolítica

O que Trump quer ao dizer que cessar-fogo com Irã acabou?

O presidente norte-americano declarou: “Vou lhes dar um pequeno aviso: vamos atacar com força hoje à noite”

O que Trump quer ao dizer que cessar-fogo com Irã acabou?

Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (08) que chegou ao fim o cessar-fogo com o Irã. Durante a cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em Ancara, na Turquia, o presidente norte-americano foi enfático.

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Além de afirmar “para mim, acho que acabou”, ele chamou os iranianos de “escória”, “pessoas doentes lideradas por doentes” e “pessoas más e cruéis”. Trump ainda disse que é uma perda de tempo para os EUA essa situação.

As falas do presidente Trump, embora nenhuma ação concreta se deu até o momento, já foram suficientes para reação do mercado. Os preços do petróleo aumentaram mais de 6% e o brent também passou por mudança, superando US$ 78 o barril.

Posicionamento de Trump não é novo

Em entrevista para O Brasilianista, Rodrigo Amaral, professor de RI da PUCSP e pesquisador do INCT/INEU, indicou que Trump tem um estilo muito próprio de tentar demonstrar força pelo discurso.

“E não tem muita fidelidade ao que afirma, hora diz que é possível negociar com seus inimigos, hora diz que é impossível. Creio que o ponto final é sempre demonstrar força, indicar que os EUA são hegemônicos”, pontua.

Para o especialista, conflitos contemporâneos, não apenas envolvendo Trump, tem se baseado majoritariamente na premissa de “provar que o seu lado tem razão” e que seu inimigo é “irracional e perigoso”. No caso norte-americano, essa construção seria uma forma de justificar a presença e ações militares no Oriente Médio.

O que esperar da Guerra entre EUA e Irã?

O pronunciamento de Trump tende a intensificar novamente o conflito, que embora tenha sido retomado em janeiro deste ano, é fruto de uma desavença desde 1979, com a revolução iraniana, que culminou na queda de xá Reza Pahlavi.

“O que vemos no cenário contemporâneo é o auge dessa rivalidade. Ou melhor, o auge das ações intervencionistas dos EUA contra o Irã”, completa Amaral, que entende que esses ataques tem por finalidade desestabilizar o país e o regime atual.

Isso já foi feito em países como Afeganistão e Líbia, mas o especialista destaca uma diferença determinante: “O caso é que o Irã é um estado forte, uma potência regional e não colapsou na velocidade que se imaginava”.

Sendo assim, Amaral comenta que a Guerra deve seguir, ainda com a mesma intenção: enfraquecer/destruir o “inimigo”.

É possível declarar um “vencedor” ou “perdedor” dessa Guerra?

O professor de relações internacionais garante que cada lado irá “puxar a sardinha” para o seu. Enquanto o Irã pode entender que vence, porque resiste, os EUA podem alegar que são os vitoriosos por impedir o “perigo nuclear”. Contudo, para ele, por hora, não há como determinar vitoriosos ou derrotados.

“Creio que, no fim, prevalece a ideia de quem é mais poderoso manda, isso a curto prazo. Mas em minha visão, a ordem liberal internacional, inventada no século XX pelos ocidentais (EUA, Inglaterra, França), parece estar se esfacelando”, opina.

Onde estão os órgãos internacionais?

A resposta é dura: apenas assistindo a tudo. Fato é que os EUA se tornou tão poderoso que ninguém é capaz de detê-lo.

Amaral exemplifica esse ponto: “Creio que a máxima ‘faço porque posso’ prevalece aí no caso dos EUA. Quem vai enfrentar o hegemon? A China não tem interesse, pois se torna gigante a margem desses conflitos internacionais. A Rússia tem sua própria guerra (que também apresenta essa incapacidade de intervenção de instituições internacionais pelo seu fim). Ou seja, as relações internacionais ainda são moldadas pelos poderosos”.

Ele finaliza: “Há afinal uma onda de direita radical extremamente relevante no mundo ocidental, e Trump é uma das grandes, senão a principal liderança”.

O Brasilianista traz análises e debates nas redes sociais