O ministro da Fazenda, Dário Durigan, afirmou nesta quinta-feira, 9, que o governo ainda precisa agir com prudência antes de retirar a medida provisória que concede subsídios à gasolina. Segundo ele, a decisão foi adiada em razão da instabilidade provocada pelo conflito no Irã, que voltou a pressionar o mercado internacional do petróleo.
A discussão foi retomada após o governo indicar, na última terça-feira, 7, que a medida poderia ser revogada ainda nesta semana.
“Essa semana eu ia anunciar a retirada da gasolina. Vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo. Semana que vem, a depender da situação, o que eu gostaria de fazer é retirar o subsídio da gasolina, seja parcialmente ou totalmente”, afirmou o ministro em entrevista à GHZ.
Embora a equipe econômica já tenha sinalizado a intenção de retirar o benefício, a decisão dependerá do comportamento do mercado nos próximos dias, diante da alta do preço do petróleo após a retomada dos ataques dos Estados Unidos ao Irã.
Planejamento da Fazendo sobre a subvenção
Durigan reforçou que o cenário internacional ainda é de incerteza, mesmo com o anúncio de cessar-fogo. Segundo ele, o governo mantém o planejamento adotado no início do conflito, quando foram implementadas medidas para evitar uma paralisação de caminhoneiros, preservar o escoamento da safra e reduzir impactos sobre o preço dos alimentos.
Ao mesmo tempo em que adotou medidas emergenciais, como subsídios e redução de tributos, a equipe econômica também passou a preparar a retirada gradual das políticas de intervenção, à medida que as condições de mercado permitissem.
“Tiramos uma parte da subvenção do diesel. Já tínhamos concluído a subvenção do ICMS com os governadores. Então, já não estamos onerando o ICMS do diesel. Mas, de fato, ontem o petróleo voltou a subir para US$ 80 o barril, e aí nós temos que adotar cautela na retirada do subsídio”, afirmou.
Reunião no CNPE
O presidente da Câmara, Hugo Motta, por sua vez, afirmou nesta quinta-feira que o governo deve retirar a medida provisória dos subsídios à gasolina assim que houver maior estabilidade no conflito no Oriente Médio.
Em contato com os ministros do planejamento, Bruno Moretti, e de Minas e Energia, @asilveiramg, acertamos que o CNPE irá se reunir na próxima terça-feira (14) para deliberar sobre o aumento do percentual de 30% para 32% do etanol na gasolina. Com relação ao PLP dos combustíveis,…
— Hugo Motta (@HugoMottaPB) July 9, 2026
O Brasilianista revelou nesta quarta-feira, 8, que a Câmara já trabalha com a possibilidade de apresentar um projeto de lei complementar para conceder subsídios aos produtores de etanol, após avaliações de que as medidas adotadas pelo governo provocaram desequilíbrios no setor.
A discussão ganhou força porque produtores e importadores de etanol avaliam que as políticas de intervenção afetaram a competitividade do biocombustível e pressionaram o preço do litro comercializado.
Mistura do etanol
Durigan também comentou sobre a proposta de elevar o percentual de etanol anidro misturado à gasolina, de 30% para 32%. O tema deve ser analisado na próxima terça-feira (14), durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Caso a medida seja aprovada, cada litro de gasolina vendido passará a conter uma proporção maior de etanol.
A proposta é vista pelo governo como uma forma de reduzir a dependência do petróleo importado e contribuir para uma maior estabilidade dos preços dos combustíveis.

