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Economia

6 setores da economia brasileira que sentem os efeitos da crise no Oriente Médio

Interrupção no Estreito de Ormuz eleva o preço da energia e pode pressionar cadeias produtivas, afetando desde o agronegócio até a indústria

6 setores da economia brasileira que sentem os efeitos da crise no Oriente Médio

A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã reacende preocupações nacionais e globais em tópicos como exportação da carne, cancelamento de vôos e estabilidade econômica.

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No epicentro da tensão está o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Uma interrupção no fluxo dessa rota estratégica provoca efeitos imediatos sobre a oferta de energia, refletindo em preços de combustíveis, custos logísticos e insumos industriais, como vimos na prática nesses últimos meses.

Pela sua localização estratégica, o estreito é rota de abastecimento da Ásia, Europa e Américas.

No Brasil, essa instabilidade não se limita a um estado ou setor: os impactos se espalham por cadeias produtivas da agropecuária à indústria, atingindo diretamente exportações, custos e investimentos.

Veja as principais áreas que podem ser impactadas:

1. Agronegócio: pressão sobre custos e exportações

O agronegócio brasileiro é particularmente vulnerável.

Parte dos fertilizantes utilizados na produção agrícola, especialmente os nitrogenados como a ureia, depende diretamente do preço do gás natural e do petróleo para sua fabricação.

Com o encarecimento da energia, o custo de produção agrícola tende a aumentar, afetando culturas importantes como soja e milho. Esses grãos, por sua vez, são a base da alimentação animal, o que amplia os efeitos para outras cadeias produtivas como as de carne, leite e ovos.

Outro fator de pressão é o aumento do diesel, que também aumenta o custo do transporte rodoviário utilizado para levar a produção até os portos. Ou seja, há uma espécie de “penalização dupla” para o campo, refletida primeiramente no aumento dos custos da produção e, posteriormente, na logística.

Como a crise internacional se prolongou, também afeta o comércio global, consequentemente, o Estado ainda pode registrar redução na entrada de dólares provenientes das exportações, o que impactaria a atividade econômica.

Embora o Brasil seja um exportador de petróleo e esteja fora das áreas diretamente afetadas pelo conflito, o país não esteve ou está totalmente protegido dos reflexos desse cenário.

2. Máquinas e implementos agrícolas

A indústria brasileira de máquinas e implementos agrícolas também é afetada por dois movimentos simultâneos. De um lado, conflitos armados costumam elevar a demanda global por aço, insumo essencial para a fabricação de equipamentos agrícolas. De outro, a alta do petróleo impacta diretamente os custos da produção industrial, que dependem fortemente de energia.

Nesse cenário, o aumento do aço pode reduzir a oferta disponível para outros setores e pressionar os preços da matéria-prima. Além disso, quando os produtores rurais enfrentam margens menores devido ao aumento dos custos, a tendência é adiar investimentos em novos equipamentos.

A médio e longo prazo, esse comportamento pode desacelerar a indústria metalmecânica do País, especialmente em regiões com forte presença desse setor, como o noroeste gaúcho.

3. Setor coureiro-calçadista

Tradicional em diversos estados brasileiros e com forte presença nas exportações, o setor coureiro-calçadista também está entre os mais sensíveis às oscilações do cenário internacional.

O impacto ocorre em três frentes principais.

A primeira é logística: com fretes e seguros mais caros, os custos de exportação aumentam e, consequentemente, reduzem a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.

A segunda envolve os custos industriais. Diversos componentes utilizados na produção de calçados têm origem petroquímica, o que significa que a alta do petróleo também encarece a fabricação.

A terceira e última está relacionada ao consumo interno. Em momentos de inflação elevada, causada principalmente por aumento de alimentos e combustíveis, as famílias tendem a priorizar despesas essenciais, diminuindo o gasto com itens considerados não prioritários, como calçados.

4. Vestuário

O setor de vestuário enfrenta um cenário semelhante ao da indústria calçadista, mas com maior dependência do mercado interno. Em períodos de aumento de custos e perda de poder de compra das famílias, os consumidores costumam reduzir gastos com roupas e outros itens menos urgentes.

Como consequência, o comércio pode desacelerar, levando ao aumento de estoques e à necessidade de ajustes na produção. Nesse sentido, pequenos lojistas e confecções tendem a sentir mais os efeitos.

5. Polo petroquímico

Os efeitos da crise internacional são ainda mais diretos no polo petroquímico, já que o petróleo é a principal matéria-prima da cadeia. O preço do barril influencia diretamente a produção de resinas plásticas e diversos insumos industriais utilizados por diferentes segmentos da economia.

Além da volatilidade do petróleo, a instabilidade em rotas estratégicas de transporte, como o Estreito de Ormuz, também eleva custos logísticos e aumenta a incerteza em contratos internacionais. Nesse contexto, empresas do setor enfrentam margens menores e podem adiar investimentos.

6. Setor financeiro

O sistema financeiro e o mercado de crédito também podem sentir os reflexos de um eventual agravamento do cenário internacional.

Isso porque conflitos geopolíticos tendem a alterar as expectativas para os juros. O Banco Central do Brasil, por exemplo, adota uma postura mais cautelosa.

Com o fim do cessar-fogo e uma intensificação do conflito, mais setores podem sofrer com a Guerra, além dos já mencionados serem ainda mais afetados.

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