O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu na quinta-feira (9) os três últimos integrantes da Comissão de Assistência Eleitoral (EAC, na sigla em inglês), órgão federal independente responsável por prestar apoio técnico aos estados na organização das eleições americanas. A informação foi divulgada pela Reuters.
A decisão ocorre a cerca de quatro meses das eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, quando serão renovadas todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e um terço do Senado. Segundo a Casa Branca, Trump tem autoridade para substituir integrantes que não estejam alinhados ao objetivo de garantir a segurança das eleições e assegurar que apenas votos legais sejam contabilizados.
Dos três integrantes remanescentes da comissão, a republicana Christy McCormick pediu demissão, enquanto os democratas Thomas Hicks e Benjamin Hovland foram dispensados por email enviado pelo Escritório de Pessoal Presidencial da Casa Branca. O quarto comissário já havia deixado o cargo em abril.
Criada pelo Congresso em 2002, a EAC não organiza diretamente as eleições americanas, que são conduzidas pelos estados, mas presta suporte técnico, certifica sistemas de votação, credencia laboratórios de testes e administra o formulário nacional de registro de eleitores por correspondência. Pela legislação, seus quatro integrantes devem ser indicados pelo presidente, divididos igualmente entre democratas e republicanos e confirmados pelo Senado.
Ainda não há informações sobre quando Trump pretende indicar novos nomes para recompor o colegiado. Para o senador democrata Mark Warner, a decisão levanta preocupações sobre possível interferência política em uma instituição responsável por apoiar a administração das eleições.
Histórico de contestação eleitoral
A decisão também reacende o debate sobre a postura adotada por Trump após a eleição presidencial de 2020. Na ocasião, o então presidente se recusou a reconhecer imediatamente a vitória do democrata Joe Biden e passou semanas afirmando, sem apresentar provas que fossem aceitas pela Justiça, que houve fraude eleitoral na época.
Diversas ações judiciais movidas por sua campanha foram rejeitadas por tribunais estaduais e federais, que concluíram não haver evidências capazes de alterar o resultado da eleição. Autoridades eleitorais, inclusive integrantes do próprio governo Trump naquele mandato, também afirmaram que o pleito foi seguro e não identificaram fraudes em escala suficiente para comprometer a votação.
O episódio acabou culminando na invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores de Trump tentaram impedir a certificação da vitória de Biden pelo Congresso americano. O ataque deixou mortos, feridos e provocou ampla condenação nacional e internacional, sendo considerado um dos momentos de maior tensão institucional da história recente dos Estados Unidos.
Houve rumores que Trump não iria deixaria Joe Biden assumir o cargo após perder as eleições. Biden disse que para isso acontecer, os militares dos Estados Unidos teriam que apoiar a conduta de Donald, mas que eles seguiam a risca a Constituição americana. O impasse deixou dúvidas.
Agora, em seu segundo mandato como presidente, Donald Trump voltou a defender mudanças nas regras eleitorais e tem reiterado alegações de fraude nas eleições de 2020. A substituição dos integrantes da EAC ocorre nesse contexto e amplia o debate sobre o papel do governo federal na administração do sistema eleitoral norte americano, tradicionalmente conduzido de forma descentralizada pelos estados.

